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De ‘Amarela’ a ‘Apocalipse nos Trópicos’, Caio Pimenta traz uma lista de filmes do Brasil que podem aparecer no Oscar 2026.
CURTAS-METRAGENS
Festivais de cinema acontecem toda hora ao redor do planeta e muitos deles acabam sendo qualificatórios para o Oscar. Isso acontece especialmente para os curtas-metragens, afinal, se não fossem assim, os votantes da Academia passariam a vida assistindo a estes filmes sem parar.
A boa passagem de filmes premiados nestes festivais permite ao cinema brasileiro sonhar com indicações ao Oscar.
Dirigido por Gabriel Novis, “Alice” é um deles. A obra venceu o Festival Hot Docs na categoria Melhor Documentário de Curta-Metragem. O filme retrata a história de Alice, multiartista trans alagoana e amiga de infância do diretor, e sua jornada de retorno ao surfe como uma forma de lidar com o luto pela morte do pai.
Depois do Hot Docs, “Alice” foi selecionado para os festivais de Guadalajara, Melbourne e Sheffield, além de ter estreado no Brasil com uma exibição no Festival do Rio.
Indo para a categoria de curtas de ficção, “América” traz um nome conhecido do Brasil no Oscar.
Depois de ficar na mira da Academia com “A Fábrica” e ter sido o representante do país com “Deserto Particular”, o Aly Muritiba chega esta produção que aborda um tema bastante conhecido do público norte-americano. “América” mostra o relacionamento de um imigrante brasileiro nos EUA com um escritor local em busca da próxima história. No meio do caminho, há um policial.
“América” é uma coprodução Brasil e EUA e, segundo o diretor curitibano, a produção conta com muitos imigrantes nas áreas técnicas. Falado em inglês e com uma temática urgente, o curta traz Cheyenne Jackson, de “American Horror Story”, o modelo e apresentador de TV Luca Castellani como protagonistas. Sem dúvida, o Aly Muritiba tem os ingredientes certos para chegar ao Oscar; a grande questão é conseguir fazer uma boa campanha para que o filme se visto pelos votantes da Academia.
Bom lembrar que, neste ano, o Oscar indicou “A Lien”, curta sobre a perseguição feita aos imigrantes nos EUA. A temática de “América” está, sem dúvida, no radar dos votantes.
Com passagens pelos festivais de Cannes e Toronto e prêmios em Havana, Chicago e na França, “Amarela” é um dos fortes candidatos para curtas de ficção. A obra se passa no dia da final da Copa de 1998 acompanhando uma adolescente nipo-brasileira que rejeita as tradições familiares, lida com uma violência que parece invisível e mergulha em um mar doloroso de emoções.
Para além da circulação exitosa em eventos internacionais, “Amarela” possui esta singularidade de falar de culturas diferentes como a brasileira e japonesa a partir de uma questão familiar capaz de ser universal em um momento delicado da vida de uma garota. Fora que recentemente a Academia vem abrindo cada vez mais espaço para obras de língua não-inglesa no Oscar de Curta-Metragem de ficção: em 2005, foram indicados filmes da Holanda, Croácia e Índia. Bem que o Brasil poderia entrar nesta lista também…
MELHOR DOCUMENTÁRIO
“Apocalipse nos Trópicos” é a maior chance do Brasil no Oscar para além de “O Agente Secreto”. Petra Costa já é nome conhecido da Academia devido à indicação de “Democracia em Vertigem” na festa de 2020. O novo filme se beneficia do antecessor por ser uma espécie de continuação da investigação que a cineasta faz sobre a política brasileira. Desta vez, o foco está na ascensão neopentecostal a partir do pastor Silas Malafaia e do discurso conservador de Jair Bolsonaro.
Igual ocorre com o filme do Kleber Mendonça Filho, “Apocalipse nos Trópicos” está na discussão do Oscar desde o início da temporada. O Brasil até pode não estar no centro das atenções dos EUA, mas, o interesse cresceu no país e, consequentemente, na Academia ao longo dos últimos anos, inclusive, por conta das similaridades políticas entre os dois países com a ascensão da extrema direita.
Petra conta novamente com o apoio da Netflix para levar “Apocalipse nos Trópicos”, aspecto fundamental em uma categoria que os concorrentes nem sempre possuem investimento para campanha. Por outro lado, o streaming tem nas mãos “A Vizinha Perfeita”, documentário que virou sensação nas últimas semanas, gerando muito debate sobre racismo nos EUA.
Apesar do equilíbrio, considero que será uma surpresa caso Petra fique de fora do Oscar 2026. Quanto à vitória, acho o cenário bem mais complicado até do que foi com “Democracia em Vertigem”; na atual temporada, minhas apostas vão mais para “A Vizinha Perfeita”.












