Caio Pimenta traz uma lista de 9 atores com grande potencial de inaugurar nova regra do Oscar que permite indicação dupla na mesma categoria.

ANDREW GARFIELD

Duas vezes indicado ao Oscar, Andrew Garfield terá dificuldades para voltar ao Oscar em 2027. 

O californiano é o protagonista de “The Uprising”, drama de época do Paul Greengrass. No drama, ele interpreta um camponês responsável por iniciar uma rebelião contra o rei Ricardo II, tornando-se uma lenda no Reino Unido. A produção pulou o circuito de festivais e chega aos cinemas em setembro. Com Greengrass em fase ruim após o esquecível “O Ônibus Perdido”, a expectativa está bem para baixo.

Garfield também está no elenco de “Artificial” fazendo interpretando o CEO do OpenAI que acaba demitido e provoca um caos no Vale do Silício. O projeto do Luca Guadagnino sofreu um baque após a Amazon MGM Studios desistir do filme indo parar na Neon. Ir para o estúdio com tantos filmes fortes vindos de Cannes não parece o melhor caminho mirando o Oscar. Pode crescer com o lançamento comercial, mas, hoje, está em situação bem difícil. 

BRAD PITT

Brad Pitt busca um feito raro: ser indicado duas vezes pelo mesmo personagem. Isso aconteceu apenas com Paul Newman, Sylvester Stallone, Al Pacino e Cate Blanchett.

No Oscar 2027, o astro tenta fazer isso com “The Adventures of Cliff Booth”, filme comandado por David Fincher e roteirizado por Quentin Tarantino. 

Outra aposta de Pitt é “Coração Selvagem”. No filme de David Ayer, ele faz um ex-soldado das Forças Especiais ferido e seu cão militar lutam para sobreviver na selvagem região do Alasca e encontrar o caminho de volta para casa. 

Se acontecer de aparecer no Oscar, será apenas com “Cliff Booth”. Pode surpreender com a chegada no fim do ano.

Por outro lado, a corrida em Melhor Ator está pesada demais, logo, tem chances de ficar muito para depois na disputa por uma das cinco vagas. 

OLIVIA WILDE

Olivia Wilde é um dos nomes mais badalados do cinema dos EUA em 2026. Por “O Convite”, talvez, ela não consiga ter força para ser indicada a Melhor Atriz, mas pode aparecer em Direção e Filme. A grande chance dela como intérprete seja em “Benemoth” em coadjuvante.  

Pouco foi revelado sobre a personagem dela, mas se o longa do Tony Gilroy for um sucesso, quem sabe a indicação possa acontecer?  

JULIANNE MOORE

Julianne Moore está afastada do Oscar desde quando venceu a estatueta em 2015 por “Para Sempre Alice”. O retorno pode ser triunfal com “The Debut”, novo filme de Jesse Eisenberg. A atriz interpreta uma mulher tímida inesperadamente escolhida para participar de uma produção musical local. 

Apontada desde as primeiras previsões para a temporada como uma das favoritas em Melhor Atriz, Julianne Moore só fica fora se “The Debut” decepcionar. Há um clamor da cinefilia e da crítica para um retorno dela ao Oscar. Pode lutar pela vitória a depender de como a corrida irá se desenhar. 

Também não dá para descartá-la com “Cry to Heaven”. O drama será a segunda parceria da Julianne Moore com o Tom Ford após “Direito de Amar”. A personagem dela não foi revelada. Vamos esperar para ver se ela aparece em Atriz Coadjuvante. 

ROBERT PATTINSON E ZENDAYA

Robert Pattinson e Zendaya formam uma das grandes parcerias do cinema neste ano. Juntos, eles participaram de O Drama, A Odisseia e Duna 3. O galã ainda estará em Primetime e Here Comes the Flood.  

Da dupla, apenas Pattinson aparece com reais chances de indicação em Melhor Ator com Primetime e Ator Coadjuvante com A Odisseia. Seria uma forma de recompensar todas as injustas esnobadas sofridas nos últimos anos. 

Infelizmente, O Drama, um dos meus filmes favoritos do ano, dificilmente se cria na temporada de premiações. O tema pesadíssimo trazido em uma comédia altamente desconfortável deve afastar muitos votantes da Academia. A maior chance da produção é conseguir espaço no Globo de Ouro em comédia/musical. Mais do que isso soa improvável. 

ANNE HATHAWAY

Anne Hathaway fez todos os filmes possíveis e imagináveis em 2026. Teve terror com Mother Mary e O Fim da Rua, comédia com O Diabo Veste Prada 2 e suspense com Verity. Nenhum deles deve render indicação ao Oscar. A estrela irá mesmo chegar à premiação com A Odisseia: a novaiorquina tem tudo para aparecer, a princípio, em Melhor Atriz Coadjuvante. 

Como falei no vídeo sobre o épico do Nolan, há uma grande possibilidade dela ganhar. Neste momento, a disputa parece ser contra Mariana di Girolamo, chilena candidata à surpresa por “Wild Horse Nine” e duas estrelas europeias em estado de graça. 

Penélope Cruz

Penélope Cruz tem grandes possibilidades de fazer uma dobradinha em Atriz Coadjuvante: a indicação por La Bola Negra parece garantida desde o Festival de Cannes.

Chegar por O Convite é um pouco mais desafiador, mas a espanhola pode representar justamente o excelente elenco da dramédia da Olivia Wilde.  

Como se não bastasse, Penélope ainda pode ser indicada a Melhor Atriz com Bunker. No drama de Florian Zeller previsto para o Festival de Veneza, ela integra um casal, ao lado do marido Javier Bardem, que recebe a proposta de construir um bunker para um milionário, despertando dilemas éticos fatais para o relacionamento.  

O maior problema para a estrela é a Academia ficar dividida com tantas possibilidades e ficar apenas com La Bola Negra, abrindo possibilidade para outros nomes.

SANDRA HULLER

Ninguém teve um 2026 mais agitado nos cinemas do que Sandra Huller.

Em Melhor Atriz, a alemã mira possibilidades com Rose, drama pelo qual venceu o Festival de Berlim, e principalmente com A Terra do Meu Pai. O risco é se a parceria dela com o Paweł Pawlikowski perder força ao longo da temporada e ficar pelo caminho. 

Se a Academia quiser prestigiar algo mais comum ao gosto médio, há outras duas chances em Melhor Atriz Coadjuvante: com direito a soltar a voz ao som de Harry Styles, Devoradores de Estrelas a posiciona muito bem para a indicação, enquanto Digger segue um mistério, mas se confirmar a expectativa, também pode levá-la ao Oscar. 

Acredito em, pelo menos, uma indicação por Devoradores de Estrelas, mas vislumbro tranquilamente duas vagas para a alemã, sendo a segunda em Melhor Atriz. Ser esnobada totalmente seria chocante.