Segunda parte do ranking dos melhores ganhadores do Oscar dos anos 2020.

Neste novo vídeo, apresento os meus favoritos das categorias de Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Atriz Coadjuvante.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Os prêmios de coadjuvantes ilustram um período bem complicado para as atuações vencedoras no Oscar.

7. JAMIE LEE CURTIS

Jamie Lee Curtis é, de longe, a pior atuação ganhadora de Melhor Atriz Coadjuvante nos anos 2020 até agora. É inegável como ela se transforma fisicamente e como sua veia cômica de longa data continua afiada, mas a conquista foi claramente exagerada, impulsionada tanto pela força de “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo” na temporada quanto pelo seu bom relacionamento em Hollywood.

Kerry Condon, de “Os Banshees de Inisherin”, era a minha favorita, mas não ficaria chateado se Angela Bassett, por “Wakanda Forever”, também tivesse vencido.

6. LAURA DERN

Com um discurso feminista defendido de forma brilhante, Laura Dern aproveitou bem o tempo que teve em “História de um Casamento” para ganhar o Oscar. Assim como Curtis, também se beneficiou do bom relacionamento e da força dentro da Academia.

Até entendo que muita gente considere essa vitória absurda; passa longe de ser um desempenho consagrador. De fato, ela venceu por aquela cena específica. Por outro lado, a concorrência era tão fraca que isso atenua esse sentimento. No máximo, aceitaria Florence Pugh, de “Adoráveis Mulheres”, como vencedora — e olhe lá.

5. DA´VINE JOY RANDOLPH

O nível da categoria sobe um pouco com Da’Vine Joy Randolph. A atriz consegue ser uma personagem grandiosa mesmo em um universo que parece tentar apagá-la. O humor sutil e elegante se complementa com a dor profunda de uma mãe em luto.

Esse resultado também serviu para prestigiar o excelente elenco da dramédia de Alexander Payne. Já que Paul Giamatti não tinha tantas chances contra Cillian Murphy em Melhor Ator, a Academia compensou “Os Rejeitados” com Randolph.

4. YUH-JUNG YOUN

Considero “Minari” um filme morno, sem oferecer nada de muito novo dentro das histórias sobre imigração nos EUA. Ainda bem que há Yuh-jung Youn, que traz vida ao interpretar uma avó fora da caixinha. As trocas com o menino que faz seu neto são o ponto alto da produção de Lee Isaac Chung.

Por melhores que fossem os discursos de Yuh-jung Youn, eu trocaria facilmente sua vitória por Maria Bakalova em “Borat 2”. A comediante tem o mérito de roubar a cena de um filme protagonizado por um personagem tão icônico quanto o de Sacha Baron Cohen, além da coragem em encarar situações constrangedoras, como a bizarra entrevista com o ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani. Faltou ousadia à Academia.

3. ARIANA DEBOSE

Ariana DeBose abre o pódio por “Amor, Sublime Amor”. Dona de um vozeirão, ela brilha ao cantar, dançar e entregar uma energia impressionante ao viver Anita no musical de Steven Spielberg. O mais interessante é que não se intimidou ao revisitar um papel icônico, eternizado por Rita Moreno nos anos 1960.

2. ZOE SALDAÑA

Também vinda do musical, Zoe Saldaña fica com a medalha de prata. Mesmo com as críticas a “Emilia Pérez”, a atriz de ascendência porto-riquenha passou praticamente ilesa durante a temporada de 2025 — e com razão. Seus momentos são os mais fortes do filme, transmitindo o cansaço de quem luta contra violência, corrupção e intolerância.

E não havia como ser diferente: a melhor atuação vencedora de Atriz Coadjuvante nos anos 2020 vem da atual temporada.

1. AMY MADIGAN

Amy Madigan pode até ter se beneficiado por ser a veterana em uma categoria com muitas estreantes no Oscar, mas seu desempenho como Tia Gladys é assombroso. A partir de sua entrada, “A Hora do Mal” mergulha de vez no terror, explorando todas as suas estranhezas.

É aquele tipo de atuação que eleva o nível do filme.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

7. KIERAN CULKIN

O pior ganhador do Oscar de Ator Coadjuvante é Kieran Culkin — e com folga. Há pouca diferença entre o que ele faz aqui em “A Verdadeira Dor” e em “Succession”. A diferença é que, na série da HBO, o personagem é mais bem construído e seu cinismo é melhor explorado. No filme de Jesse Eisenberg, além de um texto excessivamente expositivo, temos um personagem forçado, que parece implorar pela empatia do público.

Se a ideia é ver personagens sinceros mais eficazes, basta lembrar de Michael Shannon em “Foi Apenas um Sonho”. No Oscar 2025, com exceção de Guy Pearce em “O Brutalista”, todos os demais indicados eram superiores a Culkin.

6. robert downey jr.

O sexto lugar fica com Robert Downey Jr. O eterno Tony Stark aproveitou o embalo de “Oppenheimer” para vencer. Aqui, trabalha em uma chave mais contida como Lewis Strauss, revelando um político vaidoso e ressentido. É impossível não lembrar de Antonio Salieri, interpretado por F. Murray Abraham em “Amadeus”.

Eu trocaria facilmente a vitória de Downey Jr. por Ryan Gosling como Ken em “Barbie”. Seria uma escolha mais ousada da Academia, premiando uma performance que tinha tudo para dar errado — e acabou sendo um dos maiores acertos do filme.

5. KE HUY QUAN

4. TROY KOTSUR

Ke Huy Quan e Troy Kotsur entregam atuações de impacto semelhante. Ambos são o coração de seus filmes, e o fator surpresa de serem atores pouco conhecidos fortalece a conexão com o público.

Enquanto Quan diverte com seu jeito acelerado e ainda funciona como herói de ação e par romântico de Michelle Yeoh, Kotsur alterna humor e emoção ao interpretar um pai imperfeito, mas profundamente humano.

Hoje, coloco Ke Huy Quan na quinta posição, atrás de Troy Kotsur — mas isso pode mudar a qualquer momento.

3. BRAD PITT

Brad Pitt fica em terceiro lugar por “Era Uma Vez em Hollywood”. Cliff Booth nos guia — literalmente — pela Hollywood em transição entre os anos 1960 e 1970. Ele equilibra o jeito despreocupado com a responsabilidade de sustentar o personagem de Leonardo DiCaprio.

Quentin Tarantino criou o papel sob medida para Brad Pitt, explorando seu carisma e presença. Parece tão natural que mal soa como atuação.

2. SEAN PENN

Ganhador do Oscar 2026, Sean Penn ocupa o segundo lugar. Em “Uma Batalha Após a Outra”, ele encarna uma caricatura da truculência americana com intensidade total. Não há contenção — e é justamente isso que torna a performance tão poderosa.

Entre seus prêmios no Oscar, essa atuação só fica atrás de “Sobre Meninos e Lobos”. Curiosamente, supera “Milk”, que também flertava com a caricatura, mas por outros caminhos.

1. DANIEL KALUUYA

A melhor atuação vencedora de Ator Coadjuvante nos anos 2020 é Daniel Kaluuya em “Judas e o Messias Negro”. Só a cena do discurso já justificaria o prêmio. Nela, o ator traduz com precisão a liderança e a força política de Fred Hampton.

Além disso, também se destaca nos momentos mais íntimos, revelando a dimensão humana do personagem.

É impressionante como, após esse trabalho, Kaluuya teve apenas “Não! Não Olhe!” como projeto live-action — uma parceria excelente com Jordan Peele, mas ainda muito pouco para um ator desse nível.