Caio Pimenta traz a última parte dos candidatos ao Oscar 2027 com destaque para os novos filmes de David Fincher e Aaron Sorkin.
QUERIDINHOS ESPANHÓIS DE CANNES
Dois queridinhos de Cannes podem aprontar na temporada de premiações.
Rodrigo Sorogoyen deixa o festival francês aclamado por “El Ser Querido”.
A produção traz a história de um diretor de cinema escalando a filha para ser a protagonista do novo projeto. O problema é que eles não se falam há 13 anos, o que torna o set de filmagem um campo minado.
Javier Bardem foi extremamente elogiado pela imprensa internacional, sendo apontado como um nome forte para Melhor Ator.
Somente não dá para dizer que será o candidato da Espanha em Melhor Filme Internacional devido a “La Bola Negra”.
O drama da dupla Javier Calvo e Javier Ambrossi sobre jovens gays em uma Espanha devastada pela guerra saiu apontada pela imprensa especializada em Oscar na Riveira Francesa como potencial indicado para todas as categorias.
Como se não bastasse, traz Glenn Close e Penélope Cruz no elenco. Pode ser uma das obras internacionais na disputa de Melhor Filme.
‘POSSIBLE LOVE’ E SANDRA HULLER FORTES
O sul-coreano
é um dos cineastas mais prestigiados da atualidade com filmes como “Poesia” e “Em Chamas”.
Desta vez, ele apresenta “Possible Love” sobre dois casais que tem suas vidas cruzadas, provocando muitas dores e decepções. A Netflix será a distribuidora do longa com estreia prevista para o fim do ano.
Pode ser um candidato forte a Melhor Filme Internacional; já para as demais categorias, é mais complicado pela disputa interna contra as produções dos EUA no streaming.
Para além de “Devoradores de Estrelas” e “A Terra do Meu Pai”, Sandra Huller pode ainda apostar em “Rose” para chegar ao Oscar.
Bastante elogiada em Berlim, a estrela alemã interpreta uma mulher no início do século XVII, que se disfarça de homem e quer ser uma boa cidadã a qualquer custo.
Em uma temporada que permite duas indicações da mesma atriz em uma única categoria, os dramas do Pawel Pawlikwoski e Markus Schleinzer podem unir forças em prol de Huller.
MUSICAL DE EISENBERG E ‘A REDE SOCIAL 2’
Jesse Eisenberg foi reconhecido pela Academia pelo trabalho na direção com “A Verdadeira Dor”, indicado a Melhor Roteiro Original e vencedor de Ator Coadjuvante com o Kieran Culkin.
No fim de 2026, o novaiorquino deve lançar um musical nos cinemas mundiais. A obra traz a história de uma mulher tímida escolhida para participar da produção de musical. Ela se perde no papel após o feitiço de uma diretora obstinada.
Julianne Moore, Paul Giamatti e o próprio Eisenberg estão no elenco. Musicais não vêm apresentando um grande desempenho no Oscar nas últimas temporadas, mas Eisenberg pode trazer a dose certa de cinismo e humor para o gênero. Vale ficar atento ao projeto da A24.
Falando em Jesse Eisenberg, “A Rede Social”, clássico do David Fincher, ganha continuação neste ano. Sob o comando de Aaron Sorkin, roteirista premiado com o Oscar pelo primeiro filme, a produção traz os bastidores da denúncia contra o Facebook publicadas em 2021 sobre interferências políticas e polêmicas de todos os tipos.
Jeremy Strong será Mark Zuckberg, enquanto Mikey Madison, ganhadora do Oscar de Melhor Atriz com “Anora”, fará a engenheira de dados Frances Haugen, autora da denúncia. Jeremy Allen White e Wunmi Mosaku também estarão no elenco.
O lançamento está previsto para outubro e, se nada der errado, tem tudo para chegar muito forte para o Oscar 2027, inclusive, quem sabe, remediando a injustiça de “A Rede Social” perder para “O Discurso do Rei”.
‘WILD HORSE NINE’ E ‘CLARISSA’
Em alta na Academia após “Três Anúncios Para um Crime” e “Os Banshees de Inisherin”, Martin McDonaugh busca o Oscar de Melhor Filme com “Wild Horse Nine”.
Estrelado por John Malkovich, Sam Rockwell e Steve Buscemi, o projeto da Searchlight Pictures se passa em 1973 quando dois agentes da CIA enviados de Santiago para a Ilha de Páscoa, onde entram em uma missão cercada por conspirações políticas, paranoia e crises morais.
Candidato forte para brigar pelas categorias principais, especialmente, atuações e Roteiro Original.
Destaque em “O Urso”, a Ayo Edebiri busca dar o salto para o cinema. Após “Depois da Caçada” decepcionar, a atriz joga as fichas em “Clarissa”.
O drama é uma reimaginação de “Mrs. Dalloway”, de Virginia Woolf, ambientada em Lagos. Arie Esiri e Chuko Esiri comandam o projeto com distribuição da Neon.
Corre por fora, mas pode surpreender nos festivais de segundo semestre, especialmente Toronto.
‘I Love Boosters’ E CLIFF BOOTH
Com colorido para dar e vender, “I Love Boosters” acompanha uma gangue de ladrões prestes a roubar um implacável magnata da moda.
Diretor do elogiado “Desculpe te Incomodar”, Boots Riley reúne um timaço no elenco, entre eles, Keke Palmer, Lakeith Stanfield, Naomi Acke, Don Cheadle e Demi Moore.
A princípio, parece um filme despretensioso demais para mirar coisas grandes no Oscar. Estamos, porém, em tempos de “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo” e “Pecadores” surpreendendo na Academia, logo, pode ser uma grata surpresa ao longo da temporada.
Neste momento, acredito que deva ficar nas categorias técnicas, especialmente, Figurino e Maquiagem e Penteado.
Por fim, Brad Pitt pode entrar na história se ganhar o Oscar por The Adventures of Cliff Booth. Afinal de contas, o astro venceu Melhor Ator Coadjuvante em 2020 com o personagem por Era uma vez em Hollywood.
Nesta temporada, ele reprisa o papel, desta vez, dirigido por David Fincher, parceiro de Pitt em sucessos como Se7en (1995), Clube da Luta (1999) e O Curioso Caso de Benjamin Button (2008).
A Netflix confirmou que lança o filme em IMAX em novembro nos EUA e no streaming no mês seguinte. Pouco se sabe sobre a história, mas com Quentin Tarantino de roteirista dá para confiar.
É um time tão bom que a gente só pode esperar uma produção, pelo menos, divertida. Se der certo, vejo chegar facilmente nas principais categorias do Oscar. Vencer, porém, acho mais difícil.



















