Era preciso um pouco de gore e sadismo para limpar o palato depois de um dia de altos e baixos no Festival do Rio. Felizmente, o taiwanês “A Tristeza” tem tudo que nós, abutres cinéfilos, precisamos.
Os primeiros 15 ou 20 minutos são dispensados à apresentação do nosso casal de protagonistas e sua quase idílica vida. Claro, eles têm dificuldades conciliando a vida pessoal e o trabalho, mas quem não tem problemas conjugais? Enquanto isso, aguardamos impacientemente pelo início do espetáculo sanguinolento, esperado desde a aparição de uma cartela inicial alertando para os altos níveis de gore da produção.
E o diretor Rob Jabbaz não nos desaponta. Acontece que a Ilha Formosa está sendo assolada por um vírus perigosíssimo que alguns insistem em tratar como “mera gripezinha” (algumas coisas não mudam nem do outro lado do mundo). Qual não é a surpresa da população ao descobrir que o tal vírus transforma os humanos em bestas vis, dispostas a mutilar, violar e assassinar qualquer criatura que se mova.
Haverá rostos esfolados a unhadas, tripas espalhadas pelo chão e um olho arrancado que faz pensar no agora clássico “O Albergue”. Jabbaz atinge um tom curioso, modulando os geisers de sangue de modo a ora atingir efeitos cômicos, ora gerar genuíno desconforto.
A empreitada funciona, e “A Tristeza” se revela um filme tenso e divertido. Há valor aqui enquanto sátira? Apenas na medida em que sua visão impiedosamente sádica e apocalíptica é colocada em cena. Antes mesmo da infecção se espalhar, os humanos de “A Tristeza”, que têm muito em comum com os da vida real, já são uns completos cuzões. O que o vírus faz é apenas maximizar seu ímpeto destrutivo.
Nesse sentido, resta a Jabbaz acompanhar a autodestruição com humor, brutalidade e total impiedade.













