Após a excêntrica e divertida “Wandavision“, a política e reflexiva “Falcão e o Soldado Invernal“, a nova série da Marvel focada no Deus da Trapaça é uma ótima introdução para o que está por vir no Universo Cinematográfico Marvel (MCU).

Entretanto, por conta do caráter introdutório, “Loki” acaba desperdiçando ótimos personagens que poderiam ter um melhor desenvolvimento no decorrer dos seis episódios da primeira temporada.

Viagem no tempo e ‘variantes’

A série inicia no momento exato em que Loki (Tom Hiddleston) consegue escapar com o Tesseract durante os eventos de “Vingadores: Ultimato” (2019). Porém, acaba sendo apanhado pelos agentes da Autoridade de Variância Temporal (AVT) – uma organização que tem como objetivo “manter a ordem” da linha do tempo – temática esta já abordada em séries como “Doctor Who” e “The Umbrella Academy”.

Logo de cara, somos apresentados ao personagem de Owen Wilson, um carismático agente da AVT que dedicou anos de sua vida estudando “variantes” como Loki. Acreditando no potencial do Deus da Trapaça, decide dar uma chance a Loki, caso ele o ajude na missão de capturar outra variante do próprio anti-herói (interpretada pela britânica Sophia Di Martino).

A premissa utilizada ao longo da série é um ótimo elemento que justifica a existência de outras versões de uma mesma pessoa em diferentes universos, o chamado “multiverso”.

Desequilíbrio no enredo

A abordagem escolhida pelo showrunner e principal roteirista, Michael Waldron, ao explorar um dos vilões mais queridos pelos fãs do MCU, navega em duas marés: reintroduzir um personagem com grande potencial em uma narrativa cheia de mistérios e segredos; e ambientar o espectador para as infinitas possibilidades que a Fase 4 do universo expandido da Marvel poderá trazer. E é justamente na tentativa de equilibrar estes dois norteadores da trama que Waldron se atrapalha.

Os momentos em que Waldron insere conceitos complexos como viagem no espaço-tempo, a existência de múltiplos universos e paradoxo temporal; tudo isso regado a uma direção de arte que reforça a estética retrofuturística consegue ser bastante satisfatório. Mas, quando a produção foca no desenvolvimento dos personagens e a motivação que move o arco de cada um – principalmente a da variante Sylvie – Waldron deixa a desejar.

Em alguns dos episódios, vemos extensos diálogos que tentam simplificar para o espectador o complexo universo em que Loki está inserido. E por perder tanto tempo nessa exposição, quem assiste pode correr o risco de se desinteressar pela série. Apesar disso, “Loki” consegue entregar ótimas cenas de ação em plano-sequência, adicionadas ao leve humor e os fanservices característicos da “fórmula Marvel“.

 Desfecho anticlimático

Talvez um dos pontos mais negativos desta primeira temporada é a sensação anticlimática que “Loki” causa. A série, desde o começo, desperta a sensação de que algo grandioso está para acontecer, porém quando o enredo chega no clímax, o espectador é inundando por uma grande onda de decepção.

Dirigida por Kate Herron, “Loki” é uma ótima série para os fãs ansiosos pelas próximas produções da Marvel nos cinemas. Embora a produção prepare o terreno para os eventos futuros que o MCU pretende desbravar, a série não faz juz ao próprio título, deixando de lado a proposta inicial que era explorar um personagem com grande potencial esquecido nos filmes.

Já confirmada para segunda temporada, a esperança que resta é de a série expandir a promissora narrativa que tem em mãos.

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