O fim do ano reserva a chegada da última e aguardada parte de Wicked.

A adaptação da Broadway deve vir prestigiada após o elogiado primeiro filme, indicado em 10 categorias e vencedor dos Oscars de Melhor Design de Produção e Figurino.

Neste novo vídeo aqui do canal do Cine Set, é hora de tentar prever até onde o musical pode ir nesta nova temporada de premiações.

Expectativas e bilheteria

Wicked: For Good estreia nos cinemas no fim do ano com grandes expectativas após o longa original ter sido um sucesso elogiado por público e crítica.

Lançado em novembro, Wicked se tornou a terceira maior bilheteria de 2024 nos cinemas dos EUA com US$ 432 milhões, ficando atrás apenas de Divertida Mente 2 e Deadpool & Wolverine.

Ao longo da temporada de premiações, o musical fez uma campanha sólida: foi finalista do Globo de Ouro, Critics Choice, ficou no TOP 10 do PGA e liderou as indicações ao SAG. Faltaram apenas o Bafta e o DGA para completar o ciclo. No Oscar, chegou forte com presença na categoria máxima, além das indicações para Ariana Grande em Atriz Coadjuvante e Cynthia Erivo em Melhor Atriz.


Categorias técnicas

Se o primeiro filme se destacou nas áreas técnicas na última edição do Oscar, a tendência é que repita o mesmo desempenho neste ano.

Das 10 indicações anteriores, sete foram nas categorias técnicas. Wicked: For Good deve repetir muitas delas, buscando vencer novamente em Design de Produção e Figurino, além de tentar estatuetas em Som, Efeitos Visuais, Maquiagem e Penteado e Trilha Sonora. Os maiores adversários devem ser Frankenstein, de Guillermo Del Toro, e Avatar: Fire and Ash, de James Cameron.

Ainda assim, há um risco: os votantes da Academia podem achar que já deram prestígio suficiente ao primeiro filme e optar por abrir espaço para outras produções, como aconteceu com Duna: Parte 2, que perdeu metade das indicações em relação ao longa anterior. Para evitar esnobadas, Wicked: For Good precisa apresentar novidades para não passar a impressão de “mais do mesmo”.


Roteiro e Direção

Nos prêmios principais, Roteiro Adaptado e Direção serão os maiores desafios para o Oscar 2026.

O primeiro filme ficou de fora dessas categorias, mas há caminhos possíveis. Roteiro Adaptado tende a ser uma disputa menos intensa do que na última edição, que contou com títulos fortes como Conclave, Emilia Pérez, Um Completo Desconhecido, Nickel Boys e Sing Sing.

A nova temporada, porém, será incerta, com estreias de Paul Thomas Anderson (“Uma Batalha Após a Outra”), Guillermo del Toro (“Frankenstein”), Chloe Zhao (“Hamnet”), Will Tracy (“Bugonia”) e Scott Cooper (“Springsteen”). Com o encerramento poderoso do musical, Dana Fox e Winnie Holzman podem chegar à indicação ao Oscar pelo conjunto da obra somando os dois filmes.

Situação semelhante vale para Jon M. Chu. Na temporada passada, ele venceu Melhor Direção no Critics Choice e foi bastante comentado como possível indicado ao Oscar. Para 2026, volta ao páreo, mas depende da recepção crítica e da disposição da Academia em premiar uma adaptação de musical — gênero muitas vezes subestimado em Hollywood.

Talvez falte ao diretor um pouco mais de prestígio na indústria para ser unanimidade. Apesar dos sucessos de Podres de Rico e Em um Bairro de Nova York, e de sua habilidade em lidar com glamour e excessos de forma menos espalhafatosa que Baz Luhrmann, Chu ainda não tem o mesmo status de admiração que o australiano. O hype — ou a falta dele — pode pesar contra.


As atuações

As maiores chances de Wicked: For Good seguem sendo nas categorias de atuação.

Jonathan Bailey foi uma surpresa ao aparecer no SAG de Melhor Ator Coadjuvante. Apesar de ter sido esnobado no Oscar, saiu em alta da temporada passada e pode ser lembrado caso ganhe mais espaço de tela na continuação.

Ariana Grande foi a grande revelação do primeiro filme. Os exageros de Galinda conquistaram público e crítica, rendendo a ela uma indicação indiscutível ao Oscar de Atriz Coadjuvante. Houve até quem cogitasse vitória em meio à queda de Emilia Pérez.

O desafio agora será maior: todos já sabem o que esperar dela, e isso pode cansar o público. O caso lembra Johnny Depp em Piratas do Caribe: a primeira interpretação como Jack Sparrow rendeu aclamação e indicação ao Oscar, mas o impacto não se repetiu nos filmes seguintes. Para evitar esse risco, o arco de Galinda precisa oferecer novos elementos.

Já Cynthia Erivo desponta como a maior aposta do elenco. Wicked: For Good será centrado na transformação de Elphaba, oferecendo mais espaço para que a atriz brilhe.

Além disso, Erivo precisa apenas do Oscar para completar o EGOT, o que aumenta sua visibilidade. Respeitada em Hollywood e dona de um vozeirão impressionante, ela tem tudo para se consolidar como favorita. Soma-se a isso o histórico de falta de reconhecimento da Academia a atrizes negras em categorias principais, fator que pode reforçar sua candidatura à vitória.


Melhor Filme

Por fim, Wicked: For Good não pode ser descartado como concorrente a Melhor Filme.

Se por um lado fantasias não vencem desde O Retorno do Rei (2004) e musicais não levam desde Chicago (2003), por outro, o cenário atual ainda não apresenta um favorito claro para 2026. Em um mundo marcado por conflitos, a Academia pode apostar em uma opção menos polêmica, e as aventuras de Elphaba e Galinda podem representar justamente esse aceno ao grande público.

O filme também conta com uma vantagem estratégica: não terá concorrentes internos na Universal Pictures, o que deve garantir que todo o investimento de campanha seja direcionado a ele. Caso corresponda às expectativas, a vaga entre os 10 finalistas em Melhor Filme estará praticamente assegurada.

A dúvida é se conseguirá avançar além disso nas categorias principais. Exceto Cynthia Erivo, que surge como forte candidata em Melhor Atriz, os demais nomes ainda dependem da recepção da crítica e do público. Se o filme entregar o que promete, as chances crescem significativamente.