Caio Pimenta analisa quais as candidatas mais fortes e fracos na corrida pelo Oscar 2025 de Melhor Atriz Coadjuvante.

PANORAMA HISTÓRICO

O Globo de Ouro e o Critics Choice até tentam, mas, não são tão bons assim de preverem as indicadas a Melhor Atriz Coadjuvante. Para você ter uma ideia, nos últimos 10 anos, o Globo de Ouro acertou todas as finalistas somente duas vezes – a última em 2017. Já o Critics teve desempenho melhor: três vezes em que foi 100%, sendo a última no ano passado. Mas, também, vamos considerar que com seis finalistas fica mais fácil de adivinhar.

CORRENDO POR FORA

Por isso, gabaritar nos dois não significa necessariamente que você esteja garantida no Oscar, mas, claro que ajuda em termos de visibilidade. Para quem não aparece, resta remar bastante.

É o caso da Carol Kane: destaque em “Between the Temples”, ela chamou a atenção ao ser eleita a atriz coadjuvante do ano pelos críticos de Nova York. Nos últimos 10 anos, seis escolhidas pelos especialistas da Big Apple chegaram ao Oscar, sendo quatro delas vencedoras.

A Kane, finalista também do Spirit Awards, dificilmente vai levar a estatueta do Oscar por um filme independente e com pouco espaço para crescer dentro da Sony Pictures Classic. Logo, somente uma surpresa para colocá-la entre as finalistas.

Indicada ao Spirit, a Joan Chen é outra possibilidade de surpresa remota com “Dìdi” assim como a Monica Barbaro, a qual não foi nomeada a nada até agora, mas, está em “Um Completo Desconhecido”, filme com potencial de crescimento na temporada.

CHANCES MÉDIAS

Os próximos cinco nomes estão na corrida pela última vaga de Melhor Atriz Coadjuvante.

Deixada fora das listas do Globo de Ouro e do Critics, a Elle Fanning ganhou sobrevida ao ser eleita a coadjuvante do ano pelo National Board of Review. A entidade premiou oito indicadas ao Oscar da categoria nos últimos 10 anos, incluindo, quatro ganhadoras na Academia. Com “Um Completo Desconhecido” ganhando tração na temporada e uma jovem estrela popular, mas, sem presença ao Oscar, vejo possibilidades reais dela ser indicada.

Mesmo com “Nickel Boys” sendo um queridinho do circuito independente, a Aunjanue Ellis-Taylor foi lembrada apenas no Critics Choice. Nada de indicações ao Spirit nem ao Gotham. Pode ser que chegue, mas, será muito pelo prestígio dela cada vez mais crescente na indústria.

Felicity Jones e Selena Gomez aparecem somente no Globo de Ouro. Ainda que a premiação esteja longe de ser a mais confiável na categoria, ambas estão em filmes fortes da temporada. Com Adrien Brody e Guy Pearce garantidos, muitos votantes podem ir no embalo e completar o elenco de indicados por “O Brutalista”, enquanto a estrela pop já chega com qualquer estigma contra ela derrubado pela vitória em Cannes, fora que há todo o hype em relação a “Emilia Pérez”.

E ainda que seja mais comum vermos isso acontecer entre os homens, duas indicadas do mesmo filme em Atriz Coadjuvante aconteceu em 2023 com “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo” ao ter a Stephanie Hsu e a vencedora Jamie Lee Curtis entre as finalistas do Oscar.

Por fim, Margaret Qualley, indicada tanto no Critics quanto no Globo de Ouro. Com este desempenho, o destaque de “A Substância” poderia ser encarado como nome muito próximo da vaga. Mas, será que a Academia será tão generosa com o terror como os críticos foram? Decepções como “Nós”, “Hereditário” impedem de cravar qualquer coisa em relação ao filme da MUBI.

GRANDES CHANCES

Agora, as próximas três candidatas estão muito próximas das vagas. Diria até que seria surpreendente não serem indicadas.

Quem bate olho pode até estranhar a Danielle Deadwyler neste patamar sem ter sido indicada ao Globo de Ouro. A estrela de “Piano de Família”, porém, foi indicada ao Critics e, principalmente, esteve nas listas tanto do Gotham quanto do Spirit. Deixa claro como o circuito independente não deve deixá-la para trás até por conta da esnobada de “Till”. Fora que tudo leva a crer que será a única indicação do drama da Netflix.

Com pouco mais de oito minutos em cena, a Isabella Rossellini também é outro nome que parece estranho, mas, tem bons motivos para acreditar sim na indicação. Afinal, está em “Conclave”, um dos grandes candidatos da temporada, representa as mulheres em um filme dominado por homens até devido ao universo em que a história se passa e possui um momento decisivo na trama. Fora que é uma lenda do cinema sem indicação até hoje.

Por fim, tem ela, a Ariana Grande: lembrando o que fez Ryan Gosling em “Barbie” no ano passado, a estrela de “Wicked” não teme cair na caricatura e cria uma Glinda absolutamente hipnotizante com seus trejeitos afetados. Esnobá-la, além de injusto, seria a Academia contratar um hate absoluto nas redes sociais.

A FAVORITA

E, claro, tem a grande favorita, talvez, até a maior barbada do Oscar 2025.

Há quem diga que ela deveria ser deslocada para Melhor Atriz, mas, já que está em coadjuvante, a Zoe Saldaña somente perde a estatueta em uma reviravolta improvável. Do início ao fim, ela domina as ações do musical do Jacques Audiard, canta e dança de forma impecável, além de estar excelente no drama. Fora que é uma estrela com enormes sucessos na carreira, respeitada pelo público e crítica sem nunca sequer ter sido indicada. Um cenário perfeito para tirar todo o atraso com juros e correção monetária.

SE AS INDICAÇÕES FOSSEM HOJE, AS FINALISTAS SERIAM:

  • Zoe Saldaña, por “Emilia Pérez”
  • Ariana Grande, por “Wicked”
  • Isabela Rossellini, por “Conclave”
  • Danielle Deadwyller, por “Piano de Família”
  • Felicity Jones, por “O Brutalista”