A corrida ao Oscar 2026 começou definitivamente com o anúncio da seleção dos filmes para o Festival de Veneza. Grandes candidatos ao prêmio dos principais estúdios estarão pela Itália entre os dias 27 de agosto e 9 de setembro.  

De “Depois da Caçada” a “Frankenstein”, Caio Pimenta analisa quais filmes da seleção do Festival de Veneza podem chegar ao Oscar 2026.

MELHOR FILME INTERNACIONAL

O Festival de Veneza 2025 deve ser a edição recente com mais potenciais candidatos mirando o próximo Oscar. Olhando apenas para disputa do Leão de Ouro, dos 21 filmes selecionados, acredito que 13 deles vão buscar se credenciar para o evento norte-americano.  

Seis produções miram a categoria de Melhor Filme Internacional: o François Ozon lança “L´Etranger”, adaptação de um livro clássico do Albert Camus. A obra mostra um sujeito apático que se envolve em um crime. O julgamento acaba também sendo uma forma de examinar o próprio caráter dele. A última vez que o Ozon foi o representante francês no Oscar foi com “Oito Mulheres” em 2003. Não aposto muito as minhas fichas nele.  

Os italianos guardam duas esperanças: “La Grazia” é o novo filme do Paolo Sorrentino, diretor oscarizado com “A Grande Beleza”. Aqui, ele retoma a parceria com o Toni Servillo. Já “Sotto Le Nuvole” é a aposta do Gianfranco Rosi, indicado na Academia a Melhor Documentário por “Fogo no Mar”. Se um deles sair premiado em Veneza, saem forte para representar a Itália. 

Se a Tunísia torcer por “The Voice of Hind Rajab”, novo filme da Kaouther Ben Hania, diretora indicada ao Oscar por “O Homem que Vendeu sua Pele”, enquanto a húngara Ildikó Enyedi, premiada com o Urso de Ouro na Berlinale por “Corpo e Alma”, lança “Silent Friend” em Veneza. 

A turma dos candidatos internacionais chega ao fim com “No Other Choice”. Baseado no filme “O Corte”, o suspense sul-coreano mostra um homem desempregado na disputa por uma vaga de trabalho que decide matar os concorrentes. A direção é do Park Chan-Wook, prestigiado por grandes sucessos como “Oldboy”, “A Criada” e “Decisão de Partir”, mas, que sempre foi ignorado pelo Oscar. Acredito que surge como um dos favoritos ao Leão de Ouro do júri presidido pelo Alexander Payne. 

CATEGORIAS PRINCIPAIS

Hora de mirar nas categorias principais do Oscar 2026: Veneza será o palco onde a Netflix coloca em jogo suas maiores apostas para a temporada. O Guillermo Del Toro busca o segundo Leão de Ouro com “Frankenstein” ao lado do Oscar Isaac, Christoph Waltz e Mia Goth. Já o Noah Baumbach apresenta “Jay Kelly”, comédia protagonizada pelo George Clooney e Adam Sandler. E ainda tem “House of Dynamite”, suspense da Kathryn Bigelow, premiada na Academia com “Guerra ao Terror”. 

Vale lembrar que a Netflix e o Festival de Cannes não se bicam, logo, o streaming encontra o espaço para divulgar seus principais filmes em Veneza. Logo, esta invasão de títulos da empresa acabou se tornando normal – ainda que a edição deste ano seja realmente excessiva.  

“Bugonia” marca a quarta participação do Yorgos Lanthimos pelo Leão de Ouro. Foi em Veneza que a Emma Stone começou a jornada rumo ao Oscar de Melhor Atriz. O diretor grego ainda não venceu o prêmio máximo na Itália, logo, pode ser que haja chances de sair premiado. 

Co-autora de “O Brutalista”, a Mona Fastvold retorna a Veneza um ano depois com “The Testament of Ann Lee”. A produção mostra a história da personagem-título, líder do Movimento Shaker em que era considerada uma Cristo feminina. A Amanda Seyfried vem sendo considerada forte candidata a Melhor Atriz. Saindo de lá premiada, pode seguir o mesmo caminho de outras vencedoras recentes como Cate Blanchett, por “Tár”, Penélope Cruz, por “Mães Paralelas“, e Vanessa Kirby, de “Pieces of a Woman“. 

O Oliver Assayas nunca esteve no radar da Academia – nem mesmo os franceses escolhem os filmes dele para ser o representante do país. Desta vez, porém, o cineasta chega com uma obra polêmica que promete chamar a atenção de todas as formas em Veneza. “The Wizard of the Kremlin” mostra um jovem cientista se aproximando de Vladimir Putin durante a ascensão dele ao poder. O Jude Law interpreta o polêmico líder russo em um filme que ainda conta com o Alicia Vikander, Paul Dano e Jeffrey Wright. A questão é saber se o júri na Itália assim como o Oscar estarão dispostos a se envolver neste vespeiro geopolítico delicado ou vão deixar baixo. 

Por fim, há o sempre incrível Jim Jarmusch, de filmes como “Paterson” e “Amantes Eternos”. Em Veneza, ele apresenta “Father Mother Sister Brother” sobre as relações tensas entre irmãos com seus pais em um momento importante para a família. Igual o Assayas, o cineasta norte-americano nunca apareceu no Oscar e terá o apoio da Cate Blanchett e Adam Driver, protagonistas do drama.

Não será apenas na disputa do Leão de Ouro que teremos candidatos ao Oscar das categorias principais; três filmes com grande potencial serão exibidos fora da competição. O primeiro deles é “Dead Man’s Wire”: o Gus Van Sant, diretor de “Gênio Indomável” e “Elefante”, traz a história de um célebre sequestro ocorrido nos EUA no fim dos anos 1970 transmitido ao vivo pela televisão para todo o país. Al Pacino e o Bill Skarsgård são os protagonistas; ambos estão de olho nas categorias de atuação. 

Falando no Al Pacino, ele está muito bem acompanhado no elenco de “In the Hand of Dante”. Junto do astro, lá estão Oscar Isaac, Jason Momoa, Gal Gadot, John Malkovich, Gerard Butler e até o Martin Scorsese. Diretor de “O Escafandro e a Borboleta”, o Julian Schinabel mostra o manuscrito da obra-prima de Dante Alighieri sendo encontrado após séculos e a investigação trazendo detalhes sobre a escrita do livro.

Para fechar, tem “Depois da Caçada”. O trailer do novo filme do Luca Guadagnino chamou a atenção das redes sociais pelo grande elenco e o suspense que chama a atenção. Mirando o Oscar, certamente a Julia Roberts e a possibilidade de voltar a concorrer a Melhor Atriz será o principal foco.