Selecionado para o Festival de Veneza, “Frankenstein” promete ser um dos mais fortes candidatos ao Oscar 2026.
O novo filme do Guillermo Del Toro traz credenciais de sobras para ser levado a sério na temporada.
No novo vídeo do Cine Set no YouTube, o Caio Pimenta apresenta como a superprodução da Netflix chega forte para as premiações.
HISTÓRICO DE DEL TORO NO OSCAR
Poucos nomes ascenderam tanto no conceito da Academia nas últimas décadas como Guillermo Del Toro. Tudo o que o mexicano faz entra no radar do Oscar de uma forma ou de outra.
Tudo começou em 2007 quando “O Labirinto do Fauno” foi indicado em seis categorias – o maior número para uma produção fora de Melhor Filme naquela temporada. Venceu metade das disputas – todas nas áreas técnicas -, mas, perdeu para o alemão “A Vida dos Outros” em Filme de Língua Não-Inglesa. A fantasia ainda rendeu a primeira nomeação individual a Del Toro em Melhor Roteiro Original.
Se a Academia já tivesse mudado as regras para até 10 indicados em Melhor Filme, certamente “O Labirinto do Fauno” estaria entre os finalistas. Ainda assim, a chave em relação ao mexicano mudou na premiação a ponto de “Hellboy 2” conseguir uma indicação em Maquiagem.
A consolidação veio mesmo com “A Forma da Água”: a ficção científica sobre o encontro de opostos em meio a um mundo intolerante foi a fábula que Hollywood procurava para criticar Donald Trump e seu discurso de intolerância aos imigrantes. Ao lado de um grande elenco e um brilhantismo técnico ímpar, o longa dominou sem maiores dificuldades o Oscar 2018, conquistando Melhor Filme e Direção.
Del Toro foi o último da trinca mexicana formada ainda por Alfonso Cuáron e Alejandro González Iñarritu a conquistar a dobradinha no Oscar. Apesar do número menor de estatuetas em relação aos compatriotas, foi ele quem teve os melhores resultados nos últimos anos.
Se Iñarritu naufragou com “Bardo” e Cuáron está afastado dos cinemas desde “Roma”, Del Toro emplacou “O Beco do Pesadelo” em Melhor Filme no Oscar 2022.
Foi uma indicação inesperada pelo fato do suspense ter tido um desempenho ruim nas bilheterias e a crítica não ter se empolgado tanto.
A força do elenco e o prestígio do mexicano, entretanto, foram suficientes para ficar entre os finalistas.
Melhor sorte ele teve mesmo na temporada seguinte com “Pinóquio”: o cineasta levou o estúdio a conquistar a tão cobiçada categoria máxima de animação, superando rivais tradicionais como Pixar, Disney e Dreamworks.
DISPUTA NA NETFLIX
Essa força do Del Toro faz com que tudo o que realize seja cotado para estar no Oscar. Não será diferente com “Frankenstein”, a nova fantasia com terror dele prevista para estrear no fim do ano na Netflix. O streaming, aliás, deve jogar as principais fichas no filme.
Além de “Frankenstein”, a Netflix conta com “Jay Kelly”, dramédia protagonizada por George Clooney e Adam Sandler.
Apesar do prestígio, o diretor Noah Baumbach nunca se mostrou tão confiável para ser o carro-chefe da Netflix no Oscar: deu errado com “Os Meyerowitz” e “Ruído Branco” e “Histórias de um Casamento” enfrentou a concorrência interna pesada de “O Irlandês“.
Se “Nouvelle Vague” me parece frágil demais para tal missão após um Festival de Cannes apenas regular, “The Ballad of the Small Player” e “House of Dynamite” são incertezas.
O Edward Berger vem de dois trabalhos com boa repercussão no Oscar – “Nada de Novo no Front” e “Conclave” -, enquanto a Kathryn Bigelow sempre está no radar desde “Guerra ao Terror”.
O suspense com o Colin Farrell estreia em Toronto e o com a Rebecca Fergunson chega em Veneza. Podem crescer, mas, até o momento são incógnitas.
FORÇA DE ‘FRANKENSTEIN’
Já “Frankenstein” chega com uma cara de que pode ser um dos líderes de indicações da temporada.
A superprodução deve ser nome certo na maioria das categorias técnicas.
Será improvável pensar Melhores Efeitos Visuais, Direção de Fotografia com o duas vezes indicado Dan Laustsen, Trilha Sonora novamente com o Alexandre Desplat, Som, Design de Produção, Figurino e Maquiagem e Penteado.
Se pegar somente estas categorias seriam 7 indicações – nem estou colocando ainda na conta Melhor Montagem.
Nas categorias principais, vejo grandes possibilidades do Guillermo Del Toro aparecer em Melhor Roteiro Adaptado. Como roteirista, o mexicano já concorreu duas vezes, ambas entre os originais, com “O Labirinto do Fauno” e “A Forma da Água”.
Até o momento, Roteiro Adaptado aparece sem um favorito claro nem mesmo um trabalho que desponta para ser vencedor.
O Paul Thomas Anderson pode chegar forte com “Uma Batalha Após a Outra”, especialmente, com o fato de ser mais uma oportunidade de ele ser finalmente premiado. Chloe Zhao com “Hamnet”, Will Tracy com “Bugonia”, a dupla Dana Fox e Winnie Holzman com o desfecho de “Wicked” e Scott Cooper com “Springsteen” também estão no páreo.
Ainda assim, o Del Toro é forte suficiente para, pelo menos, ficar entre os cinco finalistas. O páreo para o mexicano será mais difícil em Melhor Direção.
Ali o Joachim Trier já garantiu uma das cinco vagas com “Valor Sentimental”. Se 2026 repetir este ano com dois indicados vindos do exterior, Kleber Mendonça Filho e Jafar Panahi são grandes possibilidades.
Ryan Coogler chega forte com “Pecadores”, enquanto Jon M. Chu busca a sonhada vaga com o encerramento de “Wicked“. Luca Guadanigno, Paul Thomas Anderson, Chloe Zhao, Kathryn Bigelow, Josh Safdie e Yorgos Lanthimos são outros nomes pesos-pesados no páreo.
Claro que se “Frankenstein” sair empilhando indicações deixar o Guillermo Del Toro de fora não faria sentido. Nos últimos 10 anos, a produção mais indicada ao Oscar somente não teve o diretor indicado uma vez: o azarado foi o Denis Villeneuve com “Duna” em 2022.
Nas categorias de atuação, “Frankenstein” aposta em quatro nomes.
Em Ator Coadjuvante, o Jacob Elordi é apontado pela imprensa norte-americana como uma possibilidade fazendo o monstro do filme. Ganhador por duas vezes do prêmio, o Christoph Waltz é outro que não pode ser ignorado. Já em Atriz Coadjuvante, a Mia Goth corre bem por fora. A grande chance mesmo reside no Oscar Isaac buscando a tão sonhada primeira indicação da carreira em Melhor Ator.
Aqui pode ser o grande calcanhar de Aquiles de “Frankenstein” mirando Melhor Filme: “Parasita” foi a última vez em que um ganhador da categoria máxima não teve nenhum dos atores indicados. Antes disso neste século, apenas “Quem Quer ser um Milionário?” e “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei”. De qualquer maneira, o Guillermo Del Toro deverá ter uma das 10 vagas.
CINEMA DE GÊNERO EM ALTA NO OSCAR
E o mexicano ainda pode contar com o bom momento do cinema de terror perante a Academia.
O Oscar 2018 foi chave para uma boa mudança que sinalizava maior espaço para o cinema de gênero. Uma ficção científica como “A Forma da Água” vencer Melhor Filme seria impossível na década de 1990 e anos 2000. Isso em uma disputa que ainda trazia o terror “Corra”, ganhador de Melhor Roteiro Original naquela temporada. Depois disso, a Academia colocou duas produções baseadas em HQ´s na categoria máxima.
Se a grandiosidade de “Duna” e do segundo “Avatar” os impuseram com muitas indicações, o Oscar 2023 surpreendeu totalmente ao consagrar uma ficção científica de multiversos completamente fora da caixinha como “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo”. O cenário ficou completo com “A Substância”, uma das obras mais improváveis por todo seu gore a ser indicada a Melhor Filme.
Um panorama muito mais favorável para o Guillermo del Toro e “Frankenstein” do que ele precisou desbravar ali com “A Forma da Água” no Oscar 2018.




















