A quinta parte do especial com os candidatos ao Oscar 2027 traz um dos maiores sucessos de bilheteria do ano e o novo filme do Steven Spielberg.

‘O DIABO VESTE PRADA 2’: ALTERNATIVA PARA OS ÉPICOS MASCULINOS

US$ 247 milhões. Esse foi o valor arrecadado por “O Diabo Veste Prada 2” na primeira semana de exibição nos cinemas mundiais. Os números ajudam a dar a dimensão do sucesso da continuação. 

O filme mantém as bases do original, trocando o foco da moda para o jornalismo, mas dando ênfase nos personagens queridos. Se na temporada de 2007, o primeiro “O Diabo Veste Prada” foi indicado para Melhor Atriz com a Meryl Streep e Figurino, a tendência é que o novo longa fique inicialmente apenas na categoria técnica. 

Ainda assim, não descarto que “O Diabo Veste Prada 2” possa ser uma surpresa e beliscar a última vaga de Melhor Filme. O Oscar 2027 deve ser uma temporada das superproduções de Hollywood com “Duna 3”, “Devoradores de Estrelas”, “A Odisseia” e “Dia D” muito bem-posicionados.  

Neste diálogo maior com o público, a Academia pode enxergar em Miranda Prestley e Andy Sachs uma obra popular voltada para o público feminino e LGBTQIAPN+. Contar com um time de peso como Meryl Streep, Emily Blunt e Anne Hathaway para fazer uma campanha forte pode ajudar. 

‘A MORTE DE UM CAIXEIRO-VIAJANTE’: WRIGHT REPETE MARCH?

“A Morte do Caixeiro-Viajante” deve ganhar uma nova versão para os cinemas em 2026. A peça do dramaturgo Arthur Miller já foi adaptada anteriormente em 1951, sendo indicada a 5 Oscars. 

Na trama, um vendedor idoso que sempre trabalhou incansavelmente, relegando a família a segundo plano, se vê prestes a perder o emprego. Jeffrey Wright é o protagonista de um elenco que ainda conta com a Octavia Spencer.

A direção fica por conta da Chinonye Chukwu, a qual esteve à frente de “Till” e “Clemência”, duas produções que quase levaram a Danielle Deadwyller e Alfre Woodward à disputa de Melhor Atriz. 

O grande mistério é saber se a produção da Focus Features fica pronto até o Oscar. A Deadline publicou em fevereiro que o elenco ainda estava sendo fechado. 

 NOVO DE CHAZELLE FICA PRONTO A TEMPO?

Falando de incertezas, há o novo filme do Damien Chazelle: o diretor de “Whiplash”, “La La Land” e “Babilônia” se prepara para filmar um drama prisional ambientado nos anos 1940.

Daniel Craig, Cillian Murphy e Michelle Williams estão no elenco. 

A distribuição está nas mãos da Paramount Pictures. Se o projeto correr muito rápido, há possibilidades de entrar na disputa do Oscar 2027.

Tudo leva a crer, porém, que o filme seja um dos candidatos da edição centenária da festa. 

‘THE WAY OF THE WIND’: MISTÉRIO SOBRE MALICK (DE NOVO)

Fechando o time daqueles que não fazemos ideia se vai ou não ser lançado neste ano está “The Way of the Wind”. Já faz umas três temporadas que venho comentando sobre o novo longa do Terrence Malick e até agora nada 

A produção estava cotada para o Festival de Cannes deste ano como um dos principais filmes dos EUA na disputa, mas ficou de fora da seleção final. 

Com toda esta incerteza, especulações sobram sobre possíveis problemas na pós-produção e que “The Way of the Wind” seria a derradeira obra de Malick. 

A expectativa fica para os festivais do segundo semestre. Infelizmente, não guardo muitas esperanças de que acontece. Sempre bom lembrar que o filme traz vários capítulos da história de Jesus Cristo. Logo, resta ter fé. 

‘IS GOD IS’: TERROR FORA DO RADAR DA ACADEMIA

Gêmeos queimados recebem ordens de sua mãe prostrada para matar seu pai abusivo responsável por sua desfiguração, dividido entre vingança e perdão.

Esta é a trama leve e doce de “Is God Is”. O suspense dirigido pela estreante Aleshea Harris traz o Sterling K. Brown, Vivica A. Fox e Janelle Monáe no elenco. A distribuição fica por conta da Amazon MGM. 

Com lançamento previsto nos cinemas dos EUA no dia 15 de maio, “Is God Is” precisa ser uma grandiosa surpresa para conseguir chegar ao Oscar. A tendência neste momento é que passe longe da festa da Academia. 

‘PRIMETIME’: ROBERT PATTINSON EM BUSCA DA PRIMEIRA INDICAÇÃO

O Robert Pattinson está à procura da primeira indicação da carreira com “Primetime”. Pouco se sabe da história até aqui, mas o projeto da A24 deve trazer o astro como um jornalista confrontando o submundo do crime e que muda os rumos da televisão para sempre.  

A direção está por conta do Lance Oppenheim, estreando na ficção após documentários premiados nos EUA. Além de atuar, Pattinson também é o produtor de “Primetime”, algo sempre bem-visto em Hollywood.  

Caso consiga ficar pronto a tempo do Oscar, sinto que pode ter um vibe de “Marty Supreme” sendo aquele candidato em que se reúne um ator jovem muito querido e um diretor em alta na indústria. Poderia representar uma injeção de adrenalina em uma Hollywood cada dia mais avessa ao risco. Bom ficar de olho. 

‘SWEETSICK’: NOVA CHANCE PARA BLANCHETT

Longe do Oscar desde 2023 quando perdeu pelo brilhante trabalho em “TÁR”, a Cate Blanchett pode retornar à festa com “Sweetsick”. A obra marca a primeira parceria dela com Alice Birch, roteirista elogiado por “Lady Macbeth”, “Morra Amor”, “Normal People” e, agora, estreando na direção. 

Com distribuição da Searchlight Pictures, “Sweetsick” traz a curiosa história de uma mulher com a capacidade de ver o que os outros precisam mais intimamente. Isso, claro, traz um custo emocional bem grande para ela durante a jornada de volta para casa. 

Personagem daqueles que Cate Blanchett pode explorar as diversas facetas dela, seja na comédia ou drama, como poucas da atualidade conseguem fazer. Tudo aponta para o lançamento no segundo semestre com uma carinha mais de Telluride ou Toronto do que Veneza. 

‘O BATEDOR DE CARTEIRAS’: A GRANDE CHANCE DE TURTURRO

Chega a ser inacreditável pensar que o John Turturro nunca foi indicado ao Oscar. Isso mesmo com as brilhantes parcerias dele com os irmãos Coen. “O Batedor de Carteiras” pode resolver esta pendência da Academia. 

O filme traz o ator como Harry, um batedor de carteira das antigas enviado para Nova York com a missão de um resolver um roubo que deu errado. Lançado no Festival de Berlim, o suspense do Noah Segan foi bastante pelo estudo de personagem minucioso que faz do protagonista. 

Com distribuição da Sony Pictures Classics, “O Batedor de Carteiras” pode fazer para o John Turturro o que fizeram “Rustin” para Colman Domingo, “Ficção Americana” para o Jeffrey Wright e “Living” para o Bill Nighy: ser o longa capaz de render a primeira indicação para um veterano querido da indústria. 

‘Teenage Sex And Death At Camp Miasma’: TERROR PODE SURPREENDER EM CANNES

Previsto para a disputa da Um Certo Olhar, mostra paralela mais importante do Festival de Cannes, “Teenage Sex And Death At Camp Miasma” é o novo filme da Jane Schoenbrun. O mote da história é um dos melhores de 2026. 

Hannah Einbinder, de “Hacks”, faz uma diretora de cinema interessada em revitalizar uma franquia de slasher marcada por continuações fracassadas e odiada pelos críticos. Ela decide entrar em contato com a protagonista reclusa destes filmes, interpretada pela Gillian Anderson, de “Arquivo X”. Claro que a coisa vai dar ruim e muito sangue será distribuído ao longo do filme. 

Por mais moderninha que a Academia esteja abraçando filmes de terror, slasher parece ainda longe de cair no gosto do Oscar. Por outro lado, brincar com o mundo do cinema e ter duas atrizes tão talentosas como protagonistas pode ajudar “Teenage Sex”. Depende muito da repercussão em Cannes: se sair premiado, a MUBI pode adotar uma linha de campanha capaz de surpreender tal qual fez com “A Substância”. 

‘DIA D’: SPIELBERG CANDIDATO FORTE COM SCI-FI

Por fim, Steven Spielberg retorna à ficção científica com “Dia D”. Previsto para estrear em pleno verão norte-americano, o longa mostra o pânico global após um evento inexplicável ser transmitido ao vivo na televisão. Emily Blunt, Josh O´Connor e Colin Firth estão no elenco principal do projeto com distribuição da Universal Pictures e da Amblin. 

As teorias da conspiração sobre a existência de alienígenas, a ponto de envolver os presidentes dos EUA, devem gerar um interesse ainda maior em “Dia D”. Caso seja um sucesso de bilheteria como se espera e tenha um bom desempenho junto aos críticos, Spielberg certamente entra forte na conversa para o Oscar.  

A grande questão é se ele consegue ir além a ponto de ganhar o prêmio da Academia. Neste sentido, apesar dos acenos recentes ao cinema de gênero com a conquista de “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo” e o ótimo desempenho de “Pecadores”, vejo um cenário mais complicado.  

A presença constante do Spielberg na temporada de premiações cria sempre a sensação de que é possível esperar um pouco mais para consagrá-lo novamente, pois, existem outros nomes para prestigiar. Foi assim com “Os Fabelmans” e “Amor Sublime Amor”. Fora que as obras de fantasia do cineasta, ainda que prestigiadas com indicações como nos casos de “Tubarão”, “Contato Imediatos do Terceiro Grau”, “E.T” e “Caçadores da Arca Perdida”, nunca deram o salto para vencer. 

Claro que a Academia pode enxergar esta oportunidade em “Dia D” até como forma de homenagear um gigante que lapidou a indústria de Hollywood para o que ela é hoje, mas sinto que Spielberg chegue correndo por fora pensando em uma possível vitória.