A apresentação dos candidatos para o Oscar 2027 continua aqui no Cine Set; Caio Pimenta aborda o hit “Devoradores de Estrelas”.
‘WEFWULF’: EGGERS CHEGA A MELHOR FILME
Lembra daquela bobagem do ‘terror elevado’? Filmes do gênero que iriam além do susto pelo susto?
Da geração de diretores que surgiu na metade da década passada no cinema americano, o Robert Eggers é o que mais vem se dando bem na Academia. “O Farol” conseguiu uma indicação na prestigiada categoria de Direção de Fotografia, enquanto “Nosferatu” chegou a quatro categorias da festa.
Em 2027, Eggers busca ampliar a participação e, quem sabe, chegar a Melhor Filme. “Werwulf” se passa na Inglaterra medieval do século XIII, quando um homem enfrenta sua transformação em lobisomem, lidando com as consequências sobrenaturais e os perigos da época.
Aaron Taylor-Johnson é o protagonista de um elenco que ainda conta com os antigos parceiros Willem Dafoe e Lily-Rose Depp. Eggers promete que “Werwulf” será o mais sombrio de seus filmes, apostando novamente no realismo fantástico. A estreia está marcada para o Dia de Natal; logo, a Focus Features pode buscar posicionar o filme para os festivais do segundo semestre, como Veneza ou Toronto, em busca de embalo para as premiações.
“A NOIVA!”: DIFICULDADES PELO CAMINHO
Candidato forte para categorias técnicas, com potencial para chegar aos prêmios principais.
Falando de terror, “A Noiva!” traz Frankenstein de volta às telas. Desta vez, porém, a obra aposta em uma pegada mais feminista ao colocar a companheira do monstro no centro das atenções. Com direção de Maggie Gyllenhaal, o filme traz Jessie Buckley em um desempenho arrasador — tanto que muita gente diz que ela está melhor do que em “Hamnet”. Christian Bale, com suas transformações visuais, completa o elenco.
“A Noiva!” estava previsto para estrear no fim do ano passado, mas a Warner resolveu segurar o lançamento para março de 2026. De uma possível aposta para a temporada de premiações, agora a produção está praticamente descartada de maiores pretensões ao Oscar.
Primeiro, pelo lançamento tão distante da temporada de um filme que não vingou tanto assim nas bilheterias — US$ 23 milhões ao redor do planeta. Segundo, porque tivemos “Frankenstein”, de Guillermo del Toro, no Oscar 2026; logo, não acredito que a Academia vá dar o mesmo espaço para dois longas sobre o mesmo tema de forma consecutiva. Por fim, Jessie Buckley teve seu momento dominando a temporada com “Hamnet”. Dessa forma, a tendência é a Academia e a indústria considerarem outros nomes para prestigiar.
No máximo, “A Noiva!” terá espaço em áreas técnicas, como Maquiagem e Penteado.
‘ARTIFICIAL’: GUADAGNINO QUEBRA A SINA?
Luca Guadagnino não vive um grande momento com a Academia: o italiano não aparece no Oscar desde “Me Chame Pelo Seu Nome”, na temporada de 2018. E não foi por falta de oportunidades: “Até os Ossos”, “Rivais”, “Queer” e “Depois da Caçada” acabaram ignorados.
Para 2027, ele surge ao lado de Andrew Garfield e Monica Barbaro com “Artificial”. O drama acompanha o caos na OpenAI, quando o CEO Sam Altman foi demitido repentinamente e, dias depois, readmitido. A crise sacudiu o Vale do Silício.
A grande questão aqui é como a Academia irá se comportar com duas produções sobre o mundo da tecnologia na mesma temporada. Além de “Artificial”, Aaron Sorkin está finalizando a continuação de “A Rede Social”. Vejo uma desvantagem para Guadagnino nessa competição, até pela força do longa de David Fincher, de 2010.
Corre o risco de o italiano morrer na praia de novo.
‘I PLAY ROCKY’: HOMENAGEM AO CLÁSSICO NOS 50 ANOS
Ganhador do Oscar por “Green Book”, Peter Farrelly aposta nos bastidores de um também vencedor de Melhor Filme para voltar à premiação. Em “I Play Rocky”, o público verá como Sylvester Stallone, um ator estigmatizado, deu a volta por cima para interpretar Rocky Balboa no clássico dos anos 1970.
Anthony Ippolito terá a missão de interpretar Stallone em um elenco que ainda conta com Matt Dillon e Tracy Letts. “I Play Rocky” entra para a temporada como um candidato despretensioso da Amazon MGM Studios, mas pode se tornar uma surpresa, até pelo aniversário de 50 anos do clássico.
“Rocky” é daqueles filmes icônicos do cinema americano, amado por 9 entre 10 pessoas da indústria, e que influencia o cinema até hoje. O longa de Farrelly é Hollywood falando e exaltando a si mesma — algo que eles amam. Se “I Play Rocky” for abraçado e tiver boas críticas, pode crescer de modo semelhante a “Coda” e “Green Book”.
‘DEVORADORES DE ESTRELAS’: INDICAÇÃO PRÓXIMA
“Devoradores de Estrelas” é o grande sucesso do cinema norte-americano de 2026 até aqui. Com mais de US$ 500 milhões arrecadados ao redor do planeta, a ficção científica conquistou também a crítica, com uma história que emociona e arranca risadas do público.
Phil Lord e Christopher Miller podem repetir o feito dos Daniels, de “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo”, ao conseguir indicações a Melhor Filme e Direção. Utilizar cenários construídos em vez do tradicional CGI cheio de efeitos visuais é uma escolha muito valorizada pelos pares na indústria — além da capacidade narrativa, criatividade e referências.
Ryan Gosling também tem tudo para conseguir a quarta indicação da carreira. Segurar “Devoradores de Estrelas” praticamente sozinho e contracenando com uma rocha lembra Tom Hanks em “Náufrago”, com a bola de vôlei Wilson. Pensar em vitória em Melhor Ator ainda está longe, dependendo bastante de como a categoria irá se desenvolver ao longo do ano.
A Amazon MGM irá colecionar indicações nas categorias técnicas, como Design de Produção, Efeitos Visuais e Montagem. Aposto também em Melhor Filme. “Devoradores de Estrelas” caminha para repetir o feito de “Pecadores” como aquela produção lançada no primeiro semestre que resiste ao longo da temporada.
‘THE DOG STARS’: RIDLEY SCOTT NÃO EMPOLGA
E o Ridley Scott? Faz tempo que o britânico promete e não entrega nada de relevante. “Gladiador 2” é a maior prova disso. Por isso, não há maiores expectativas em relação a “The Dog Stars”.
Jacob Elordi interpreta um piloto viúvo que faz amizade com um atirador mal-humorado enquanto buscam sobreviver a um bando de catadores itinerantes chamados Reapers. Tudo isso em um mundo pós-apocalíptico após um vírus aniquilar quase toda a humanidade. Margaret Qualley, Josh Brolin e Guy Pearce também estão no elenco.
Com distribuição da 20th Century Studios, “The Dog Stars” é um filme que não vejo indo muito longe, considerando o que Ridley Scott vem apresentando nos últimos anos.
‘SATURN RETURN’: ROMANCE PARA FICAR ATENTO
A dobradinha Greg Kwedar e Clint Bentley segue sem parar: depois de “Sing Sing” e “Sonhos de Trem”, agora os dois chegam com “Saturn Return”. No melhor estilo ‘Eduardo e Mônica’, acompanhamos um casal ao longo de uma década. Com isso, vemos desde o início do amor idealizado até as durezas da vida adulta.
Charles Melton, Rachel Brosnahan e Will Poulter lideram o elenco. A Netflix, que não é boba, adquiriu o projeto no ano passado. As gravações aconteceram em Chicago.
Muita, muita atenção para “Saturn Return”; afinal, tem os ingredientes certos para chegar forte ao Oscar 2027.
‘MUSK’: O DOCUMENTÁRIO DO ANO?
Quem disse que os documentários não têm vez no especial do Cine Set? Vencedor do Oscar por “Um Táxi para a Escuridão”, Alex Gibney deve trazer um dos longas mais polêmicos de 2026.
“Musk” promete fazer uma análise completa da trajetória do dono da Tesla, SpaceX e do X/Twitter, incluindo a breve passagem pelo segundo governo de Donald Trump.
A esperança é que Gibney faça um documentário contundente, como realizou ao abordar a cientologia e Julian Assange. Com uma possível derrota republicana nas eleições de meio de mandato, quem sabe Hollywood não cria coragem para finalmente partir para cima de Trump.
‘The Entertainment System is Down’: OSTLUND SEM O AVAL DE CANNES
Ruben Östlund terá um cenário diferente para chegar ao Oscar 2027: se “The Square” e “O Triângulo da Tristeza” foram indicados com a credencial da Palma de Ouro, “The Entertainment System is Down” não poderá contar com esse prestígio. Para a surpresa do mundo do cinema, a obra ficou fora do Festival de Cannes deste ano.
A comédia mostra o pesadelo que pode ser uma viagem de avião com 17 horas de duração sem nada para entreter os passageiros. Keanu Reeves, Kirsten Dunst e Daniel Brühl são os protagonistas do filme.
A expectativa é que Östlund consiga deixar o filme pronto para o Festival de Veneza. Ganhar o Leão de Ouro seria uma bela porta de entrada rumo ao Oscar, ainda mais levando em consideração que o evento italiano virou uma vitrine para as obras de Hollywood nos últimos anos.
‘O CONVITE’: A VOLTA DE OLIVIA WILDE
Olivia Wilde está de volta na direção com “O Convite”. E ela está mais do que bem acompanhada: o elenco conta com Penélope Cruz, Seth Rogen e Edward Norton. O roteiro fica por conta de Rashida Jones.
A trama mostra um casal em crise que decide convidar os misteriosos vizinhos do andar de cima para um jantar. O encontro poderá fazer os dois reatarem ou terminarem definitivamente.
Com distribuição da A24, “O Convite” está previsto para estrear nos cinemas dos EUA em junho, bem no verão — período mais disputado do ano em Hollywood.
A estratégia, talvez, seja repetir o que vimos com “Amores Materialistas”, com um romance capaz de conquistar o público e a crítica — algo que Celine Song não conseguiu, aliás.





















