Toda temporada de premiações que se preze traz revelações. Jovens atores e atrizes que se destacam e conseguem chegar pela primeira vez ao Oscar. 

 A temporada de 2027 tem uma seleção promissora que se encaixa bem neste perfil.

Neste novo vídeo do Cine Set, eu apresento 10 nomes que podem surgir pela primeira vez na festa da Academia. 

 

INDE NAVARRETTE, POR ‘OBSESSÃO’ 

O primeiro nome é um dos mais falados e queridos de 2026 nos cinemas mundiais. 

Certamente Inde Navarrette não imaginava que poderia ser especulada para o Oscar quando assinou o contrato para fazer Obsessão. A estrela de 25 anos tirou a sorte grande de encontrar um terror com roteiro tão inteligente como feito por Curry Barker, falando de um tema atual como submissão feminina em relação aos homens. Com muito carisma, Navarrette trabalha bem demais a transformação da garota cheia de vida e simpática para uma versão assustadora.    

O hype em torno dela é tão grande e deve crescer ainda mais à medida que a temporada avance. Improvável que não apareça no Globo de Ouro e Critics Choice. A chave para indicação ao Oscar passa pelo Actors Awards: caso consiga aparece no sindicato dos atores, a presença na festa da Academia é mais do que certa. 

MARIANA di GIROLAMO, DE ‘WILD HORSE NINE’

Depois de Wagner Moura e Fernanda Torres, Mariana di Girolamo pode ser outra intérprete sul-americana a ser indicada ao Oscar. A chilena faz parte do elenco de Wild Horse Nine, produção que aborda a relação dos EUA com sangrenta ditadura de Pinochet. No longa do Martin McDonagh, ela faz uma estudante rebelde na Ilha de Páscoa fazendo amizade com o agente da CIA interpretado por John Malkovich. 

Todos os principais veículos especializados no Oscar nos EUA apontam Mariana como uma candidata muito forte para Melhor Atriz Coadjuvante. Há aqueles, inclusive, que a colocam entre as favoritas à estatueta. A Searchlight Pictures deve trabalhar pesado na campanha dela até como forma de prestigiar o elenco chileno, afinal, é onde o filme se passa. 

 JORDAN FIRSTMAN, POR ‘CLUB KID’

Club Kid, do diretor e roteirista Jordan Firstman, foi um dos destaques do Festival de Cannes deste ano. A história de um falido promotor de festas de Nova York forçado a mudar de vida quando o filho de 10 anos chega do nada foi exibido na Un Certain Regard, a mostra paralela mais importante do evento francês. Apesar de sair sem prêmios, recebeu bastante aclamação da crítica a ponto da A24 comprar os direitos por US$ 17 milhões.  

O grande problema do Jordan Firstman é a concorrência interna na A24: o estúdio já conta com O Convite e The Debut. Logo, será preciso vencer esta barreira interna para sonhar em ir mais longe. Club Kid inicia estes trabalhos nos festivais de San Sebastián e Nova York. 

ROBERT ARAMAYO, POR ‘I SWEAR’

Robert Aramayo busca fazer milagre com I Swear. Afinal, a produção perdeu a janela de oportunidade da última temporada e, mesmo sendo apto a disputar o Bafta e vencer Melhor Ator, não conseguiu o mesmo junto ao Oscar. Desta forma, terá que remar tudo de novo em uma campanha da Sony Pictures Classics para fortalecer o longa nos EUA. 

A intensidade da atuação e jogar luz sobre uma questão pouco abordada nos cinemas como a Síndrome de Tourette são pontos a favor de Aramayo. Vejo possibilidades de indicação ao Globo de Ouro e Critics Choice. O problema é conseguir espaço nos demais eventos, visto que já utilizou a janela do Bafta para se projetar. 

Rosalind Eleazar, por ‘MISTY GREEN’

Quem acompanha Slow Horses sabe quão boa atriz Rosalind Eleazar é. A grande chance de brilhar nos cinemas chega com Misty Green. No drama dirigido pelo Chris Rock (sim, ele mesmo), ela faz uma talentosa atriz lutando contra os vícios que impedem sua carreira de renascer.  

É aquele personagem moldado para a temporada de premiações abordando o mundo das artes e problemas de saúde. O grande problema? “Misty Green” está com distribuição da A24 e deve entrar na fila competitiva do estúdio. 

 TAO OKAMOTO E VIRGINIE EFIRA, POR ‘ALL OF SUDDEN’

Tao Okamoto e Virginie Efira dividiram o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes por All of Sudden. O novo filme do Ryusuke Hamaguchi chega na temporada de premiações com expectativas altas, afinal, conseguiu emocionar o evento francês a ponto de se tornar um dos favoritos à Palma de Ouro. Se há alguma chance do longa ir além na temporada isso reside muito na força delas. 

Antes que vocês me briguem, sim, Okamoto e Efira aparecem como revelações aqui pensando sob o ponto de vista do Oscar. Mesmo com grandes desempenhos ao longo da carreira, elas jamais estiveram no radar da Academia. “All of Sudden” aparece como a grande chance das duas.  

GUITARRICADELAFUENTE, POR ‘A BOLA NEGRA’

Guitarricadelafuente. Comece a decorar este nome porque ele vai ser muito falado na temporada 2027. Em A Bola Negra, o cantor, compositor, guitarrista e ator espanhol faz Sebastián, um jovem músico que vive na Espanha durante a Guerra Civil em 1937. A história dele é o núcleo central das três narrativas que compõem o filme. 

 Com elogios unânimes da crítica, Guitarricadelafuente deve ser um dos líderes da campanha da produção espanhola ao lado dos diretores Los Javis e de Penélope Cruz. A grande dúvida é se a Netflix o coloca na corrida de ator principal ou coadjuvante. 

 RUTH MADELEY, POR ‘A ARTE DE SER HAUMANN’

Ruth Madeley quer se juntar a Harold Russell, Marlee Matlin e Troy Kotstur como intérpretes com algum tipo de deficiência a vencerem o Oscar. A atriz é a protagonista de A Arte de Ser Haumann. O drama traz a história real da ativista dos direitos das pessoas com deficiência que lidera um protesto de 28 dias para lutar por leis de acessibilidade e direitos iguais. 

A produção é dirigida pela Sian Heder, a mesma de Coda, produção que rendeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante ao Troy Kotsur, intérprete com deficiência auditiva. A questão aqui é saber se a Apple, distribuidora do filme, consegue criar a mesma onda voltada para a representatividade que obteve há cinco anos. É possível ainda que difícil. 

 JAAFAR JACKSON, POR ‘MICHAEL’

Rami Malek, Austin Butler, Timothée Chalamet conseguiram indicações ao Oscar de Melhor Ator em cinebiografias de lendas da música. Por que Jaafar Jackson não pode obter o mesmo? 

Impressiona no trabalho do jovem ator como ele evita ser uma caricatura, armadilha até natural para uma figura tão imitada como Michael Jackson. O sobrinho do Rei do Pop encontra um tom próprio, transmite muito bem a aura infantil e reclusa do músico, além de ser impecável nos passos e interpretações das músicas. 

Considero que Jaafar esteja muito próximo de uma indicação na categoria de Melhor Ator em Comédia/Musical do Globo de Ouro. A partir daí, caberá a Universal Pictures conciliar a campanha de Michael e A Odisseia para conseguir emplacar os dois na categoria.