Caio Pimenta traz as previsões finais para o Oscar 2025 de Melhor Atriz e analisa as chances de Fernanda Torres.

O Oscar de Melhor Atriz nunca foi tão esperado no Brasil desde 1999, quando Fernanda Montenegro concorreu por Central do Brasil. Agora, é a vez da torcida pela filha dela chegar ao prêmio mais conhecido do cinema mundial com Ainda Estou Aqui.

Neste vídeo, faço a previsão final da categoria, analisando os pontos altos e baixos de cada candidata ao prêmio. E já posso adiantar que as notícias são muito animadoras.

CHANCES MÍNIMAS

São 13 candidatas que seguem na briga pelas cinco vagas de Melhor Atriz. Quatro delas praticamente estão descartadas, com mínimas chances de indicação.

São os casos de Amy Adams, Kate Winslet, Zendaya e Tilda Swinton. A única presença do quarteto nos principais prêmios da temporada foi no Globo de Ouro.

 Em busca da sétima indicação e primeira vitória no Oscar, Amy Adams não conseguiu se consolidar com um filme satírico que traz pitadas de terror sobre a maternidade, uma abordagem rara e raramente abraçada pela Academia. Mais uma temporada decepcionante para a estrela de Canina.

Já Kate Winslet tentou uma arrancada no fim de 2024, ao intensificar a campanha e as entrevistas com a imprensa. Sua chegada ao Globo de Ouro mostrava que ela poderia surpreender até o Oscar. A distribuição tímida da Roadside Attractions, uma empresa muito menor que gigantes como Sony e Netflix, e o próprio Lee, o filme, nada empolgante, atrapalharam sua chance de se firmar.

Se a temporada estivesse menos concorrida, o perfil da personagem de Kate Winslet talvez até ajudasse a colocá-la entre as indicadas. Mas, em 2025, é praticamente impossível. A única chance será apostar no prestígio dela, uma das maiores atrizes da atualidade.

Querida das redes sociais, Zendaya busca chegar ao Oscar pela primeira vez com Rivais. Apesar da ótima atuação, ela passa longe de ter chances, com o filme prejudicado pelo lançamento no primeiro semestre de 2024. Nem mesmo o posto de estrela em ascensão será dela: o posto ficará com Mikey Madison.

Tilda Swinton tinha tudo para voltar ao Oscar, afinal, Pedro Almodóvar sempre se destacou por grandes personagens femininas, além da parceira dela em cena, a excelente Julianne Moore. Em um dos casos mais incompreensíveis dos últimos anos, O Quarto ao Lado sumiu totalmente após vencer o Festival de Veneza. A queda da produção praticamente sepultou as chances dela, assim como a ascensão de Fernanda Torres na Sony Pictures Classics.

A única chance de Tilda é, igual a Kate Winslet, se jogar no prestígio dela, caso a Academia não queira duas atrizes de filmes em língua não-inglesa. Mesmo assim, há outros nomes à frente dela.

CHANCES PEQUENAS

Duas das maiores estrelas de Hollywood estão correndo por fora na disputa pela vaga.

Nicole Kidman começou a temporada forte ao vencer Melhor Atriz em Veneza. A vitória no National Board of Review e as indicações ao Gotham Awards e Globo de Ouro apontavam um caminho consolidado até o Oscar. No entanto, a derrota para Fernanda Torres e a esnobada no SAG e Critics Choice mudaram totalmente o cenário, deixando a impressão de que há resistências a Babygirl, um thriller erótico, subgênero pouco valorizado na Academia, e até mesmo desconforto com a personagem da australiana.

Ainda assim, é preciso lembrar que Nicole Kidman já foi indicada ao Oscar por Reencontrando a Felicidade, quando parecia que ela não conseguiria. Fora que 6 das 10 últimas vencedoras de Veneza chegaram ao prêmio da Academia. Mesmo com poucas chances, a australiana ainda está no páreo.

Desde o anúncio de Maria Callas, sabia-se que Angelina Jolie era um nome forte para o Oscar 2025. Viver a lendária cantora de ópera nos últimos dias de vida é o perfil de personagem que, por exemplo, levou Renée Zellweger ao segundo Oscar. O cenário ficava perfeito com a lembrança recente das indicações de Natalie Portman e Kristen Stewart, estrelas dos últimos filmes do diretor Pablo Larraín.

Igual a Nicole Kidman, a derrota para Fernanda Torres escancarou que a situação não ia bem para Jolie. Para piorar, Maria Callas não conseguiu avançar na temporada, demonstrando a saturação das cinebiografias do cineasta chileno. E a Netflix focou todas as forças em Emilia Pérez, deixando o filme abandonado à própria sorte.

Angelina tem o status de ser uma grande estrela se desafiando em um papel que dialoga com a pauta feminista atual. Logo, pode até chegar, mas, hoje, parece improvável demais uma indicação.

A BRIGA PELAS DUAS ÚLTIMAS VAGAS

Chegamos então às candidatas que realmente estão no páreo, com boas chances de conquistar as duas vagas abertas em Melhor Atriz.

Marianne Jean-Baptiste traz a tradição e o apoio da ala britânica com Hard Truths. A estrela retoma a parceria com Mike Leigh, diretor que a levou à única indicação de sua carreira com Segredos e Mentiras, uma curiosidade sempre que agrada à Academia. A personagem é daquelas difíceis, rabugenta, fácil de ser odiada, mas que aos poucos conquista e emociona o público.

A grande questão que fica é saber se Marianne conseguirá conquistar outros setores além dos britânicos. Neste sentido, os norte-americanos são fundamentais. A esnobada no SAG, porém, complicou o cenário. Ainda assim, ela chega forte para ser indicada.

Parecia impossível, mas Pamela Anderson não será uma surpresa se vier a ser indicada ao Oscar. Pelo contrário: a desconstrução da estrela para uma virada total e ser levada a sério encontrou vazão em The Last Showgirl, uma das narrativas mais fortes da temporada, graças a A Substância.

Neste sentido, a decisão de Pamela Anderson em não usar maquiagem reforçou esse aspecto. Uma campanha perfeita. The Last Showgirl cresceu tanto que até Jamie Lee Curtis pode ser indicada. Acho que ela pode ser uma das surpresas da manhã das indicações.

Cynthia Erivo gabaritou nas principais premiações pré-Oscar: apareceu no Globo de Ouro, Critics Choice, SAG e Bafta. Com prestígio de ser uma quase EGOT, a estrela de Wicked vive a nova versão de uma personagem histórica do cinema, adicionando pitadas de um discurso racial muito interessante à história. Para completar, ainda canta muito e forma uma ótima e inesperada dobradinha com Ariana Grande.

O ponto fraco, talvez, seja a relação do público internacional com Wicked e a própria Erivo. Ainda assim, o prestígio dela junto aos norte-americanos e britânicos deve compensar isso, além do fato de que a superprodução da Universal Pictures tem uma visibilidade enorme. Ela está muito perto da indicação.

E claro, tem Fernanda Torres: fora do Bafta e do SAG, a brasileira só tinha uma oportunidade para se manter viva – vencer o Globo de Ouro. A conquista surpreendente sobre estrelas como Kidman, Jolie e Winslet fez o público mundial querer conhecê-la. A Sony Pictures Classic intensificou a campanha e colocou Ainda Estou Aqui definitivamente no radar: justo no período de votações para as indicações, ela dominou o cenário.

Se Fernanda conseguir pegar os votos da ala internacional como esperado e ainda obter uma boa tração junto aos americanos, a vaga fica muito próxima.

VAGAS GARANTIDAS

E há três candidatas que, na minha visão, estão garantidas em Melhor Atriz.

Estrelas de Anora e Emilia Pérez, respectivamente, Mikey Madison e Karla Sofia Gascón se beneficiam por carregarem o nome das personagens de dois dos filmes mais fortes da temporada. A californiana de 25 anos se encaixa naquele padrão histórico de jovem estrela que a Academia gosta de indicar. Esbanjando beleza e sensualidade, a estrela vai do drama para a comédia e de volta ao drama rapidamente. Foi indicada a todos os prêmios pré-Oscar, logo, é impossível ficar fora.

O mesmo feito conquistado por Karla Sofía Gascón: a atriz espanhola se destaca desde Cannes ao lado do forte trio feminino. Deixá-la de fora e indicar Zoe Saldaña e até Selena Gomez em coadjuvante não faz o menor sentido. Para completar, ainda traz a narrativa de ser a primeira artista trans indicada nas categorias de atuação do Oscar.

E, para fechar, tem o nome que desponta como a favorita ao Oscar de Melhor Atriz.

Demi Moore deve vingar as doloridas esnobadas recentes de grandes estrelas de filmes de terror. A narrativa de comeback, tentadora por si só para a Academia, se junta ao tema de A Substância sobre os malefícios da pressão estética sobre as mulheres e o etarismo. A forma como isso se casa à própria trajetória da estrela torna um panorama perfeito, até mirando a estatueta no dia 2 de março.

Na minha visão, as indicadas ao Oscar 2025 de Melhor Atriz serão:

  • Demi Moore, por A Substância
  • Mikey Madison, por Anora
  • Karla Sofia Gascón, por Emilia Pérez
  • Cynthia Erivo, por Wicked
  • Fernanda Torres, por Ainda Estou Aqui