Caio Pimenta traz as previsões finais da categorias principais do Oscar 2026, incluindo as chances de “O Agente Secreto” e Wagner Moura.
OS PRÊMIOS MAIS CERTOS DA NOITE
Começo por onde não haverá surpresas na noite deste domingo.
Os prêmios de roteiro estão mais do que definidos. “Uma Batalha Após a Outra” deve vencer Roteiro Adaptado, enquanto “Pecadores” leva Roteiro Original. Assim se confirma a predominância dessas duas produções sobre todas as demais ao longo da temporada.
O terror de Ryan Coogler também aparece com tudo para ganhar Melhor Seleção de Elenco. A conquista no Actors Awards de Melhor Elenco deu o indicativo de que a história deve se repetir na Academia. Aqui, pelo menos, “Uma Batalha Após a Outra” surge como possível surpresa. “O Agente Secreto”, infelizmente, não terá chances.
Em Melhor Atriz, não há a menor possibilidade de Jessie Buckley sair sem o Oscar. A estrela de “Hamnet” dominou a categoria do início ao fim: venceu Globo de Ouro, Critics Choice, BAFTA e Actors Awards. Premiada no Globo de Ouro entre as intérpretes de comédia ou musical, Rose Byrne tem cerca de 0,01% de chance de provocar uma das maiores zebras da história da premiação. Mas não vai acontecer.
Premiado no Globo de Ouro, Critics Choice, BAFTA e DGA, Paul Thomas Anderson finalmente deve ter o Oscar de Melhor Direção em sua prateleira. A narrativa de ser um dos maiores cineastas da atualidade, com uma filmografia impressionante, compensa o fato de a honraria vir por “Uma Batalha Após a Outra”, um longa menor dentro de sua carreira. Ryan Coogler aparece como zebra, mas não acredito que os votantes farão essa desfeita com PTA.
- Melhor Direção: Paul Thomas Anderson / Zebra: Ryan Coogler
- Melhor Atriz: Jessie Buckley
- Melhor Roteiro Original: Pecadores / Zebra: Valor Sentimental
- Melhor Roteiro Adaptado: Uma Batalha Após a Outra
- Melhor Seleção de Casting: Pecadores / Pode Ganhar: Uma Batalha Após a Outra
DISPUTAS ACIRRADAS
A partir daqui, tudo pode acontecer. As categorias seguintes estão bastante emboladas.
O BAFTA e o Actors Awards mostraram que o prestígio de Sean Penn não diminui. O vilão de “Uma Batalha Após a Outra” chega como favorito, mas será que vence? A ausência nos dois eventos, a falta de campanha, a antipatia que gera e o fato de já ter duas estatuetas, contra nenhuma de seus adversários, podem atrapalhá-lo.
Mesmo tendo apenas o Globo de Ouro na conta, Stellan Skarsgård pode ganhar. Seria uma forma de prestigiar o elenco de “Valor Sentimental” e, claro, um artista querido pelos pares, com décadas de carreira na indústria e na maior chance de vencer o Oscar.
A narrativa também serve para Delroy Lindo. Nesse cálculo entram ainda as esnobadas históricas que ele enfrentou — em especial por “Destacamento Blood” — e a força de “Pecadores”. Chega à cerimônia como zebra.
Já Amy Madigan aparece como favorita para levar o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. O prêmio no Actors Awards indica que ela assumiu a narrativa de ser a grande chance de uma veterana de Hollywood finalmente conquistar a estatueta. Das cinco finalistas, ela é a única que já foi indicada anteriormente. Para completar, sua transformação em “A Hora do Mal” chama atenção pela entrega e pelo inusitado que o filme oferece.
O terror, entretanto, é o único entre os indicados que não aparece em Melhor Filme, o que diminui sensivelmente a visibilidade de Amy Madigan. Com isso, entram em cena Teyana Taylor e Wunmi Mosaku, justamente as intérpretes dos dois filmes dominantes da temporada. Creio que a estrela de “Uma Batalha Após a Outra” tenha mais chances, ainda que não seja possível descartar o destaque de “Pecadores”.
- Melhor Ator Coadjuvante: Sean Penn / Pode Ganhar: Stellan Skarsgard / Surpresa: Delroy Lindo
- Melhor Atriz Coadjuvante: Amy Madigan / Pode Ganhar: Teyana Taylor / Surpresa: Wunmi Mosaku
A HORA DO BRASIL
O Brasil estará atento a duas categorias no Oscar 2026. A primeira será muito difícil; na segunda, as chances são excelentes.
A loucura que se tornou a corrida de Melhor Ator permite o sonho de ver Wagner Moura levando a estatueta. Aqui, entretanto, o protagonista de “O Agente Secreto” chega como zebra. Primeiro por ser um ator de língua não inglesa em uma categoria que, apenas uma vez, abriu exceção — com Roberto Benigni. Além disso, o baiano não foi indicado ao Actors Awards nem ao BAFTA, algo que nunca aconteceu com um vencedor do Oscar nessas circunstâncias.
Por outro lado, a vitória de Robert Aramayo no BAFTA mostrou que os britânicos podem abraçar Wagner, especialmente após a campanha de divulgação fraca de “O Agente Secreto”, que prejudicou o longa no evento. Com o apoio massivo dos votantes internacionais e de alas dos EUA que não simpatizam com Timothée Chalamet ou Michael B. Jordan, há espaço para uma surpresa.
A estrela de “Marty Supreme” não pode ser descartada. Chalamet errou praticamente tudo o que podia durante a temporada. Sorte a dele que o que poderia ter sido o golpe de misericórdia — a polêmica fala sobre balé e ópera — veio depois do fim das votações. Ainda assim, o astro é influente, possui aliados poderosos e entrega uma grande interpretação. Pode vencer, mas complicou bastante para si mesmo.
O favorito é mesmo Michael B. Jordan. O astro conta com o fortalecimento de “Pecadores” na reta final, especialmente após vencer Melhor Ator e Melhor Elenco no Actors Awards. Até mesmo a comparação com Chalamet o favorece, por ser mais discreto e menos exposto. O papel duplo demonstra amadurecimento de um rosto conhecido da indústria por entregar sucessos de bilheteria e desempenhos elogiados pela crítica.
Por outro lado, não se trata de uma atuação consagradora, daquelas que tradicionalmente vencem o Oscar. Também vale lembrar que a última vitória de uma atuação semelhante foi com Anthony Hopkins em “O Silêncio dos Inocentes”. Muitos votantes podem acreditar que Jordan já está contemplado com a conquista de Melhor Seleção de Elenco. Resumindo: variáveis não faltam para dar errado, mas neste momento a estrela de “Pecadores” é, sim, o favorito.
O Oscar brasileiro deve vir novamente em Melhor Filme Internacional. Acredito que o país consiga repetir algo que não acontece desde os anos 1980, quando a Dinamarca venceu a categoria consecutivamente. Isso porque “O Agente Secreto” nunca perdeu força ao longo da temporada, ao contrário de “Valor Sentimental”.
Sempre que parecia que iria explodir, o candidato da Noruega recuava. Foi assim no Globo de Ouro, nas esnobadas do Actors Awards e no BAFTA. Mesmo colocado em segundo plano nas prioridades da Neon, “O Agente Secreto” se consolidou com resultados importantes e com a tradicional torcida brasileira nas redes sociais.
Tanto que a virada veio nesta reta final, com a Neon claramente priorizando “O Agente Secreto”. Além disso, o longa de Kleber Mendonça Filho foi muito bem nos EUA ao longo da temporada: vitórias no Trifecta, Globo de Ouro e Critics Choice, além da presença constante de Wagner Moura nos eventos da Academia.
Será uma disputa muito equilibrada e difícil, mas prevejo “O Agente Secreto” vencedor de Melhor Filme Internacional, com “Valor Sentimental” ainda tendo grandes chances.
- Melhor Ator: Michael B. Jordan / Pode Ganhar: Timothée Chalamet / Surpresa: Wagner Moura
- Melhor Filme Internacional: O Agente Secreto / Pode Ganhar: Valor Sentimental
A BATALHA POR MELHOR FILME
O Oscar de Melhor Filme deve ficar com “Uma Batalha Após a Outra”. A temporada do drama de Paul Thomas Anderson apresenta uma consistência invejável. Exceto pelo Actors Awards de Melhor Elenco, venceu todos os demais prêmios principais: Globo de Ouro, Critics Choice, BAFTA, DGA, PGA e WGA.
O pulo do gato, entretanto, está em dois sindicatos pouco comentados: montadores e diretores de fotografia, ambos vencidos por “Uma Batalha Após a Outra”. O filme também conquistou o BAFTA nas duas categorias.
Apenas quatro vezes na história vencer Montagem e Fotografia no mesmo ano não resultou em Melhor Filme: “Um Lugar ao Sol” (1952), “JFK” (1992), “O Resgate do Soldado Ryan” (1999) e “Gravidade” (2014). Em 11 ocasiões, ganhar essas duas categorias coincidiu com o prêmio principal.
Para completar, “Uma Batalha Após a Outra” não acumulou polêmicas, foi bem recebido pela indústria e pelos críticos. E, como disse, há um carinho enorme em relação a Paul Thomas Anderson, com a sensação de que agora é a hora dele.
“Pecadores”, entretanto, não pode ser descartado. É um filme que vive o melhor momento da temporada justamente na reta final. Foi abraçado pelos atores — o maior contingente de votantes da Academia —, pela comunidade negra e possui forte adesão entre os mais jovens. O fato de ser um filme de terror também representa um aceno ao grande público, fator cada vez mais levado em conta nos últimos anos.
“Uma Batalha Após a Outra” é o favorito, mas “Pecadores” pode, sim, ser a surpresa do Oscar 2026.
- Melhor Filme: Pecadores / Pode Ganhar: Uma Batalha Após a Outra






















