Caio Pimenta analisa as surpresas e as esnobadas da shortlist do Oscar 2025 e o panorama de “Ainda Estou Aqui” em Melhor Filme Internacional.

CANÇÃO ORIGINAL

Foram 10 categorias anunciadas na shortlist do Oscar 2025.

Todas as de curtas-metragens e outras sete para os longas-metragens: Filme Internacional, Documentário, Efeitos Visuais, Som, Maquiagem e Penteado, Trilha Sonora e Canção Original.

E justamente na categoria em que o Oscar poderia trazer grandes estrelas da cultura pop, a Academia mais surpreendeu.

Apesar de muito esperada, Miley Cyrus ficou fora com “Beautiful That Way”, de “The Last Showgirl”. Pode ser um sinal de que o drama com Pamela Anderson não está tão bem cotado assim na Academia. Já Lady Gaga foi esnobada com a canção-tema de “Coringa: Delírio a Dois”, encerrando uma temporada frustrante para alguém que imaginava, pelo menos, uma indicação.

Para o Oscar, o duelo na categoria deve ficar mesmo entre as músicas de “Emilia Pérez”: “El Mal”, cantada por Zoe Saldaña, e “Mi Camino”, interpretada por Selena Gomez.

Só sei que uma das vagas será da imortal Dianne Warren: em busca da 16ª indicação ao Oscar, ela aparece com “The Journey”, do filme “Batalhão 6888”.

MAQUIAGEM E PENTEADO

Já em Maquiagem e Penteado, a única surpresa foi “Waltzing with Brando”, em que Billy Zane fica com a cara do astro de “O Poderoso Chefão”. Todos os favoritos estão lá, entre eles “Duna 2”, “A Substância”, “Wicked” e “Nosferatu”.

Os dois maiores esnobados foram “Gladiador 2” e, principalmente, “Furiosa”. Para mim, aliás, o filmaço de George Miller não ter aparecido em absolutamente nada mostra como a inclusão de “Estrada da Fúria” no Oscar 2016 foi um lapso de rara inteligência da Academia.

TRILHA SONORA

Em Trilha Sonora, chamou a atenção “Saturday Night”, apontada pela imprensa norte-americana como candidata certa, que ficou fora da shortlist. Também decepcionaram as ausências de “Nickel Boys” e “Queer”, um dos melhores trabalhos da dupla Atticus Ross e Trent Reznor.

A única novidade que chama a atenção entre os semifinalistas é Hans Zimmer, com “Blitz”. Não que isso seja completamente inesperado, mas é curioso vê-lo aqui após a desclassificação pela trilha sonora de “Duna 2”.

SOM E EFEITOS VISUAIS

Melhor Som teve esnobadas bastante sentidas: o novo “Um Lugar Silencioso”, “Twisters”, “Nosferatu”, “Conclave” e “Furiosa”.

A Academia os preteriu por “Deadpool & Wolverine” e “Coringa 2” — vai entender. De qualquer modo, é improvável que esses filmes cheguem ao Oscar: os indicados devem ser “Emilia Pérez”, “Gladiador 2”, “Wicked”, “Blitz” e o favorito “Duna 2”.

Já em Efeitos Visuais, “Guerra Civil” foi a principal surpresa de uma lista previsível.

A tendência é que sejam indicados “Gladiador 2”, “Better Man”, o último “Planeta dos Macacos”, como coadjuvantes de um ótimo duelo entre “Wicked” e “Duna 2”.

Falei que “Furiosa” foi esnobado? Então, ao lado, em efeitos visuais, ficaram de fora “Blitz” e, principalmente, “A Substância”. Um erro bem grande da Academia.

DOCUMENTÁRIO

Melhor Documentário trouxe uma lista muito próxima dos finalistas do International Documentary Awards: sete dos 10 indicados a Melhor Filme estão na shortlist do Oscar. Neste momento, “Sugarcane” e “No Other Land” aparecem em uma disputa pesada para assumir o favoritismo da categoria, com “Dahomey” correndo por fora.

Quanto às esnobadas, o Brasil não verá Petra Costa novamente na categoria, com “Apocalipse nos Trópicos” fora, assim como a animação “Piece by Piece”, que não convenceu os votantes com a cinebiografia do cantor Pharrell Williams. Nem mesmo o carinho do público e a nostalgia foram capazes de puxar “Super/Man: The Christopher Reeve Story”.

Chama a atenção como documentários de grandes nomes de Hollywood não têm vez no Oscar. Somente nos últimos anos, vimos filmes sobre Michael J. Fox, Sidney Poitier e até sobre o pai de Robert Downey Jr. muito longe dos finalistas. Christopher Reeve agora entra para a conta.

FILME INTERNACIONAL

E chegamos, então, a Melhor Filme Internacional. Como eu disse no início do vídeo, o Brasil retorna à shortlist após 17 anos: a última vez tinha sido no Oscar 2008 com “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias”.

“Ainda Estou Aqui” é a única obra latino-americana entre os semifinalistas da categoria. O resultado era mais do que o esperado e, caso não ocorra nada surpreendente, a tendência é que o filme quebre outra marca: os 26 anos sem indicação ao Oscar — o Brasil concorreu pela última vez com o mesmo Walter Salles em “Central do Brasil”.

A shortlist da categoria, aliás, veio sem maiores surpresas: as principais esnobadas foram de Portugal, com “Grand Tour”, e do Chile, com “No Lugar da Outra”. Hoje, a disputa por Melhor Filme Internacional está mais direcionada à quarta e quinta vagas: o italiano “Vermiglio”, o senegalês “Dahomey”, o dinamarquês “A Garota da Agulha”, o letão “Flow” e o irlandês “Kneecap” são os principais candidatos.

Entre esses cinco filmes, acredito mais nas chances de “Vermiglio” e “Dahomey”, repetindo o feito de “Honeyland”, que foi indicado em Filme Internacional e Documentário.

Já a briga pela estatueta, infelizmente, é preciso dizer que tudo se encaminha para “Emilia Pérez” ser o vencedor: o candidato francês apareceu seis vezes na shortlist, chegando favorito em muitas categorias técnicas. Fora ter batido o recorde de indicações no Globo de Ouro. Por mais que a campanha de “Ainda Estou Aqui” seja intensificada, vejo um cenário quase impossível para o filme brasileiro sair vencedor. Somente uma reação negativa muito forte ao musical de Jacques Audiard poderia mudar isso.