De Fernanda Montenegro a Zoe Saldaña, Caio Pimenta aponta quais as principais candidatas para o Oscar 2025 de Melhor Atriz Coadjuvante.
POUCAS CHANCES
Oito nomes estão correndo bem por fora na disputa de Atriz Coadjuvante. A primeira delas, aliás, tinha expectativas bem mais altas na temporada.
O fracasso colossal de “Coringa 2” acabou com qualquer chance de Lady Gaga conseguir a segunda indicação da carreira como intérprete. E olha que ela nem vai mal: fazendo uma figura que não sabemos se podemos acreditar no que fala, a estrela cria uma Arlequina que chama a atenção toda hora que aparece em cena. O blockbuster da Warner pode ter seus problemas, mas, ela não é um deles.
A Maria Bakalova esteve por aqui em 2021 quando sonhou até em ganhar a estatueta por “Borat 2”. Desta vez, entretanto, não a vejo indo longe por “O Aprendiz”.
A Jennifer Lopez tenta a primeira indicação com “Unstoppable”, mas, se ela já foi esnobada em condições normais de pressão e temperatura com “As Golpistas”, imagina agora com todos os escândalos da vida pessoal. Não tem muitas chances também.
A Demi Moore até pode ser o grande destaque de “A Substância”, mas, a Margaret Qualley não fica nada atrás como a versão jovem e sem muito de juízo da protagonista. Se o terror da Coralie Fargeat conseguir driblar as resistências e começar a ganhar espaço na temporada, talvez, haja alguma possibilidade para ela. Até o momento, parece improvável.
A Connie Nielsen chegou perto da indicação em 2001 por “Gladiador”, mas, acabou ficando de fora. Agora, 24 anos depois, ela busca novamente com a continuação do épico do Ridley Scott. Depende da força do filme na temporada para poder chegar com chance.
A Elle Fanning faz Sylvie Russo, namorada de Bob Dylan, na cinebiografia “A Complete Unknown”. O maior desafio dela é a concorrência interna no próprio filme, neste momento, mais bem posicionada do que ela. Já a Michelle Austin luta para sair da sombra da Marianne Jean-Baptiste em “Hard Truths”. Com uma protagonista tão dominante, a tendência é que ela seja deixada de lado.
Por fim, tem a nossa Fernanda Montenegro: ela interpreta a versão idosa de Eunice Paiva. Há o simbolismo do reencontro dela com o Walter Salles após “Central do Brasil” e ser um nome conhecido de uma ala da Academia, especialmente, a mais velha e a internacional. A questão é se o tempo de tela será suficiente para fazê-la alcançar voos maiores que a permita chegar às cinco finalistas. Apesar da lembrança da Marina de Tavira, indicação improvável de “Roma”, acho que, aqui, não será o caso.
CORRENDO POR FORA
Abrindo o time de quem pode surpreender está a Ariana Grande: “Wicked” está sendo apontado como uma possibilidade de filme capaz de mudar a configuração da temporada. Logo, se der certo, a cantora das notas para lá de agudas pode surgir como possibilidade.
Tem casos em que a concorrência interna dentro do mesmo filme pode jogar a favor e contra. Pelo lado positivo, a Monica Barbaro é o nome mais forte do longa sobre o Bob Dylan na categoria. Até porque ela interpreta ninguém menos do que Joan Baez, lenda viva da música norte-americana. Nem preciso dizer como a Academia ama estrelas jovens interpretando grandes nomes da cultura pop.
Já a Adriana Paz está em uma sinuca de bico: pode até acontecer, mas, não vejo o Oscar indicando três atrizes de “Emilia Pérez”. Isso aconteceu apenas uma vez na categoria quando Diane Cilento, Edith Evans e Joyce Redman concorreram por “As Aventuras de Tom Jones” em 1964. De modo geral, a última vez foi com “O Poderoso Chefão – Parte 2”. A chance, claro, existe devido ao prêmio em Cannes, mas, considero improvável. E do quarteto do musical da Netflix, vejo a mexicana com menor hype; por outro lado, quem sabe justamente isso não faça a ala internacional puxá-la para finalistas?
Dilema parecido com o trio de “As Três Filhas”: Carrie Coon, Natasha Lyonne e Elizabeth Olsen estão excelentes, formando um poderoso conjunto. Agora, como escolher apenas uma para ficar entre as indicadas? Pela personagem insuportável, mas, visivelmente com fragilidades, sinto que a Coon é que a mais poderia ter chances de desgarrar.
A Joan Chen está colecionando elogios em “Didi”, comédia em que faz a mãe do personagem-título, um garoto de 13 anos em uma típica jornada de crescimento. O maior desafio será convencer os votantes a verem o filme em meio a uma série de produções mais fortes na temporada.
Uma indicação apenas em 2000 por “O Sexto Sentido”. A Toni Collette pode se considerar uma das atrizes mais injustiçadas pela Academia recentemente, afinal, ela poderia ter aparecido por uma penca de filmes, entre eles, “Pequena Miss Sunshine” e “Hereditário”. Esta lista deve aumentar nesta temporada com “Jurado Número 2”, último longa do Clint Eastwood que a Warner está deixando escanteado.
A Aunjanue Ellis-Taylor tentará a segunda indicação na categoria por “Nickel Boys”. Nas passagens do filme pelos festivais do segundo semestre, a atriz foi considerada o ponto alto do elenco da obra de estreia do RaMell Ross. Por fim, a Leonie Benesch joga as fichas no crescimento de “September 5” para agarrar a quinta vaga.
GRANDES CHANCES
Mesmo com “Veludo Azul” e “A Morte lhe Cai Bem”, a Isabella Rossellini até hoje não tem uma única indicação ao Oscar sequer. “Conclave” pode encerrar este incômodo tabu. No drama sobre a Igreja Católica, ela interpreta uma freira no ambiente predominante masculino. Segundo a imprensa norte-americana, a italiana está tão bem no filme que deveria ter tido maior espaço na história.
Voltando ao elenco de “Emilia Pérez”, a Selena Gomez foi a grande surpresa do musical do Jacques Audiard. Ok, que ela encaixou bem no trio de “Only Murders in the Bulding”, mas, o candidato da Netflix a coloca em outro patamar perante a crítica e aos seus pares. Como a Academia adora prestigiar jovens estrelas se arriscando somado ao fato da Selena atrair holofotes e audiência, considero ela um nome bem forte para Atriz Coadjuvante.
“A Lição de Piano” ficou pelo meio do caminho até aqui na temporada. Se não foi completamente colocado para trás é porque há Danielle Deadwyller. Toda a crítica internacional aponta para ela ao falar do que o drama dirigido pelo Malcolm Washington tem de melhor. Fora que a Academia pisou na bola ao deixá-la fora das finalistas de Melhor Atriz em 2023 por “Till”, uma das maiores esnobadas daquela temporada. Tudo leva a crer que chegou a vez dela no Oscar.
O time das candidatas com grandes chances fica completo com a Felicity Jones. Cheguei a comentar sobre ela em Melhor Atriz, mas, a A24 deverá fazer a estratégia correta de deslocá-la para cá e focar na campanha da Nicole Kidman entre as principais. E a britânica deve se apoiar na força de “O Brutalista”, hoje, o candidato que desponta para o posto de favorito a Melhor Filme. Acredito demais que vem a segunda indicação dela.
Zoe Saldaña ou Saoirse Ronan. Tudo leva a crer que as duas travarão um bom duelo pela estatueta dourada. De um lado, a atriz de origem latina carrega aquela sensação de que merece mais prestígio.
Protagonizou “Avatar” e esteve no Universo Marvel, duas das maiores franquias da história de Hollywood, e viu a boa atuação dela como Nina Simone ser relegada ao nada por escolhas erradas da parte técnica e direção. “Emilia Pérez” chega como esta espécie de redenção e reconhecimento a uma atriz que lutou demais na indústria para se firmar.
A Saoirse Ronan não fica para trás: logo criança, conseguiu a primeira indicação ao Oscar. Não caiu na armadilha da imagem de criança prodígio e escolheu muito bem os projetos que participaria. O resultado foi outras três nomeações em filmes queridos do público. “Blitz” se apresenta como a hora da verdade para, finalmente, ser premiada em ano brilhante que ainda pode render a presença em Melhor Atriz por “The Outrun”.
É o duelo mais bem definido da temporada até aqui.
SE AS INDICAÇÕES FOSSEM HOJE, AS FINALISTAS SERIAM:
- Saoirse Ronan, por “Blitz”
- Zoe Saldaña, por “Emilia Pérez”
- Felicity Jones, por “O Brutalista”
- Isabella Rossellini, por “Conclave”
- Danielle Deadwyller, por “A Lição de Piano”






























