Terceira parte do ranking dos melhores ganhadores do Oscar dos anos 2020.
Neste novo vídeo, apresento os meus favoritos das categorias de Melhor Ator e Melhor Atriz.
MELHOR ATOR
O Oscar de Melhor Ator nos anos 2020 passa longe de empolgar. Apenas os dois primeiros trazem atuações realmente históricas.
7. WILL SMITH
A pior vitória da categoria, disparada, é a de Will Smith. “King Richard” traz de volta aquele cinema coach do astro, com tudo o que ele tem de mais insuportável: cada fala soa como uma lição de moral ou motivacional, além de um pieguismo exagerado. Se era para premiá-lo por trabalhos assim, que fosse por “À Procura da Felicidade”.
Não à toa, essa conquista ficou mais conhecida pelo tapa em Chris Rock do que pela atuação de Will Smith.
6. MICHAEL B. JORDAN
Michael B. Jordan aparece na penúltima posição. Já falei bastante sobre a vitória da estrela de “Pecadores” em um vídeo anterior. Não é um desempenho ruim, mas está longe de dominar o filme como fazem os demais vencedores da categoria — aqui, aliás, incluo o próprio Will Smith. A força do terror está no elenco, não nele. Ainda assim, há um claro amadurecimento na carreira de Jordan.
5. BRENDAN FRASER
Brendan Fraser se salva no terrível “A Baleia”. Se Darren Aronofsky tem a sensibilidade de um ogro ao abordar a obesidade mórbida, o ator consegue imprimir um mínimo de humanidade e gerar empatia pelo protagonista. Poderia estar em posições mais altas, não fosse a fraqueza do filme.
4. ADRIEN BRODY
“O Brutalista” é outro que passa longe de ser bom, mas não nego a força de Adrien Brody. O ator representa bem as nuances do protagonista: um homem tentando se reerguer após uma tragédia imensurável, enquanto é constantemente humilhado por um milionário oportunista.
Fico imaginando o quanto essa atuação poderia crescer se o roteiro de Brady Corbet e Mona Fastvold entregasse a complexidade que promete. Ainda assim, considero uma vitória justa — embora Ralph Fiennes, de “Conclave”, fosse uma escolha ainda melhor.
3. CILLIAN MURPHY
Cillian Murphy aproveitou o embalo de “Oppenheimer” para vencer Melhor Ator. O estilo introspectivo do ator irlandês reforça tanto a inteligência quanto os conflitos internos do personagem, elementos centrais do filme de Christopher Nolan.
No Oscar 2024, havia a possibilidade de premiar Paul Giamatti, por “Os Rejeitados” — uma chance de ouro após bater na trave com “Sideways”. Apesar de ser meu preferido, tanto pelo desempenho quanto pela carreira, não há como contestar a vitória de Murphy.
2. JOAQUIN PHOENIX
A lista muda de patamar com Joaquin Phoenix no Oscar 2020. Após uma sequência de grandes atuações, ele alcança o auge comercial com “Coringa”. Sua estranheza característica dá forma a um personagem patético, reagindo às humilhações da vida da pior maneira possível. A entrega física completa o trabalho.
É claro que Phoenix poderia ter vencido antes, por “O Mestre”, mas aqui construiu uma unanimidade rara. Nenhum outro indicado chegou perto de ameaçá-lo. Vitória mais do que merecida.
1. ANTHONY HOPKINS
Por “Meu Pai”, Anthony Hopkins entrega a melhor atuação vencedora da década. Do homem firme do início, resta pouco ao final. O ator traduz a desorientação e a deterioração mental com delicadeza e emoção. A cena final é devastadora.
Vale lembrar que a temporada parecia encaminhada para uma vitória póstuma de Chadwick Boseman, por “A Voz Suprema do Blues”. O Hopkins, porém, se impôs com um trabalho que reafirma sua grandeza. Há quem considere essa atuação superior à de “O Silêncio dos Inocentes” — não chego a tanto, mas entendo o argumento.
MELHOR ATRIZ
Se os atores e coadjuvantes não empolgam tanto, a categoria de Melhor Atriz nos anos 2020 apresenta um nível bem superior — ainda que as últimas colocadas deixem a desejar.
7. JESSICA CHASTAIN
Alguém lembra da vitória de Jessica Chastain em 2022? Uma grande atriz que merecia vencer por um trabalho melhor que “Os Olhos de Tammy Faye”. A atuação é puro Oscar bait, sustentada por uma transformação física carregada.
Para piorar, o filme é fraco e trata de forma questionável sua personagem. Ainda havia concorrentes muito superiores, como Penélope Cruz (“Mães Paralelas”), Kristen Stewart (“Spencer”) e Olivia Colman (“A Filha Perdida”). Indefensável.
6. FRANCES MCDORMAND
A terceira estatueta de Frances McDormand também soa exagerada. Veio muito mais no embalo de “Nomadland” do que por mérito isolado. Sua atuação é contida, fria e distante, sem grande envolvimento emocional.
Novamente, havia opções melhores, como Carey Mulligan (“Bela Vingança”) e Viola Davis (“A Voz Suprema do Blues”).
5. RENÉE ZELLWEGER
Apesar do filme fraco, Renée Zellweger fez por merecer o Oscar por “Judy”. Beneficiada pela narrativa de comeback e pela figura histórica, entrega uma atuação sólida — elevada pela excelente sequência final.
Há, sim, muito Oscar bait, mas o desempenho final e a fraqueza da concorrência tornam o resultado aceitável.
4. MICHELLE YEOH
Michelle Yeoh ocupa o quarto lugar com a vitória por “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo”. Embora Cate Blanchett fosse a escolha mais justa por “TÁR”, a vitória não é absurda. Yeoh entrega um trabalho completo, equilibrando drama, comédia e ação em meio ao caos do multiverso.
O maior mérito do filme é justamente evidenciar seu potencial como protagonista, algo raramente explorado em Hollywood.
3. JESSIE BUCKLEY
A medalha de bronze fica com Jessie Buckley por “Hamnet”. O domínio na temporada não foi por acaso: sua atuação transita da leveza inicial à dor devastadora com sensibilidade impressionante.
É o tipo de vitória que agrada cinéfilos — reconhecimento a uma carreira consistente que, até então, permanecia em segundo plano.
2. EMMA STONE
Emma Stone confirma seu talento ao vencer novamente por “Pobres Criaturas”. Em parceria com Yorgos Lanthimos, constrói uma atuação física e desafiadora, sem perder humanidade.
O Oscar 2024 foi especialmente competitivo: Sandra Hüller e Lily Gladstone também mereciam vencer. Qualquer resultado seria defensável.
1. MIKEY MADISON
A melhor atuação da década é de Mikey Madison em “Anora”. A atriz trabalha com ambiguidade, equilibrando oportunismo e vulnerabilidade com precisão.
O filme divide opiniões — e isso se reflete no prêmio, especialmente no Brasil, com a torcida por Fernanda Torres, e em Hollywood, com o debate envolvendo Demi Moore.
Para mim, um resultado mais do que acertado.

























