De Michael B. Jordan a Jennifer Lopez, Caio Pimenta aponta as estrelas de Hollywood em busca da primeira indicação ao Oscar.

ADAM SANDLER E DWAYNE JOHNSON

Duas das estrelas mais populares de Hollywood das últimas décadas querem chegar ao Oscar pela primeira vez em 2026. O primeiro deles busca há algum tempo esse reconhecimento da Academia. 

Estigmatizado pelas comédias besteiróis, o Adam Sandler sempre enfrentou preconceito quando se aventurou em produções mais sérias. Não foi cogitado ao estrelar “Embriagado de Amor”, do Paul Thomas Anderson. Viu apostas como “Homens, Mulheres e Filhos” fracassarem e “Os Meyerowitz” não ir muito longe. Mesmo com todos os elogios, Sandler bateu na trave e foi esnobado em 2020 com o excelente “Joias Brutas”. Teve nova chance com “Arremessando Alto” pelo qual foi indicado ao SAG, mas, no Oscar, ficou de fora. 

Desta vez, o Sandler chega com “Jay Kelly”. No longa da Netflix dirigido pelo Noah Baumbach, o comediante divide a cena com o George Clooney. O astro vem sendo cotado para a indicação em Ator Coadjuvante. Vejo um cenário bem mais favorável a ele hoje do que em qualquer outro momento para que seja nomeado ao Oscar. Se o filme for bem-recebido, a tendência é que o Sandler finalmente consiga. 

O Dwayne Johnson resolveu deixar os ‘Velozes e Furiosos’, ‘Jumanjis’ e filmes de ação de lado para buscar a primeira vez no Oscar. Com visual totalmente diferente, típico de quem mira o prêmio da Academia, The Rock protagoniza “Coração de Lutador” em que interpreta Mark Kerr, campeão do UFC. 

O drama do Benny Safdie tem distribuição da A24, mesma empresa que fez a campanha vencedora do Brendan Fraser, ator querido do público, estigmatizado e que deu a volta por cima com uma transformação visual impressionante, ganhando o Oscar de Melhor Ator. Apesar de difícil, o raio pode sim cair duas vezes no mesmo lugar. 

 RENATE REINSVE, ELLE FANNING, Stellan Skarsgård

O time de “Valor Sentimental” traz um trio forte que tem tudo para chegar pela primeira vez ao Oscar. A Renate Reinsve esteve cotada por “A Pior Pessoa do Mundo”, mas, não conseguiu furar a bolha norte-americana da categoria. Também correu por fora neste ano em Atriz Coadjuvante com “Um Homem Diferente”. Desta vez, porém, a sensação é que a indicação virá.  

Já a Elle Fanning vive grande fase e ficou por um triz de aparecer em Atriz Coadjuvante no Oscar 2025 com “Um Completo Desconhecido”. Tudo leva a crer que agora a Academia irá recompensá-la em uma provável indicação em Atriz Coadjuvante. 

 Por fim, há o Stellan Skarsgård: o sueco sempre foi aquele coadjuvante confiável com uma carreira marcada pela versatilidade – estrelou de “Amistad” a “Mamma Mia” passando por “Duna” até “Ninfomaníaca”. Aos 74 anos, encontra o papel da vida em “Valor Sentimental”. Chega como um dos favoritos a Melhor Ator Coadjuvante e pode repetir o cenário de nomes como Christopher Plummer, Alan Arkin, Morgan Freeman e Jim Broadbent, veteranos que conquistaram seus primeiros Oscars na categoria. 

MICHAEL B. JORDAN, DELROY LINDO, RYAN COOGLER

O Michael B. Jordan já esteve no radar da Academia com “Fruitvale Station” e o primeiro “Pantera Negra”. Na indústria, há um respeito pelo ator, produtor e diretor que se tornou. Para o Oscar 2026, ele lidera “Pecadores”, um dos mais elogiados filmes do ano. Interpretando gêmeos, o astro comanda com muita personalidade o filmaço. Talvez não brigue pela vitória, mas, a indicação é uma real possibilidade. 

O Delroy Lindo também está no radar. O veterano nunca foi indicado ao Oscar e a esnobada por “Destacamento Blood” foi dolorida. Logo, há uma chance da Academia olhar com mais carinho para ele por “Pecadores” para encaixá-lo em uma das cinco vagas de Ator Coadjuvante. 

E ainda de “Pecadores”, há o Ryan Coogler: a trajetória dele é similar ao Michael B. Jordan, grande parceiro da carreira. Se em “Pantera Negra” tinha o estigma da Marvel e a sensação de que a presença em Melhor Filme era suficiente, “Pecadores” representa o salto para a maturidade. Neste momento, cravo a presença dele entre os indicados e, a depender dos festivais do segundo semestre, pode brigar pela vitória. 

JON M. CHU, JEREMY ALLEN WHITE, AYO EDEBIRI

No time dos diretores, o Jon M. Chu surpreendeu ao ganhar o Critics Choice de Melhor Direção por “Wicked”. Acredito que se o segundo e decisivo filme corresponder as altas expectativas, deve garantir a vaga em Melhor Direção. Quanto a vencer, será preciso esperar a força da continuação na temporada. 

Estrelas da ótima “O Urso”, o Jeremy Allen White e Ayo Edebiri querem ir além do Emmy e dar o salto rumo ao Oscar. Ele vai no filão das cinebiografias vivendo a lenda Bruce Springsteen. Nos últimos anos, a Academia está sendo generosa com este tipo de interpretação como ficou claro com Rami Malek, Austin Butler e Timothée Chalamet. É um candidato sério ao prêmio de Melhor Ator. 

A Ayo integra o elenco estrelar de “Depois da Caçada”. A Academia deve dar bastante atenção para o longa, visto que Luca Guadagnino foi esnobado duplamente no Oscar com “Rivais” e “Queer”, mas, guarda bastante prestígio na indústria. E ter Julia Roberts e Andrew Garfield fortes nas suas respectivas categorias, ajudaria a impulsioná-la em Atriz Coadjuvante. 

 ROSE BYRNE, ANDREW SCOTT

A Rose Bryne e o Andrew Scott saíram fortes do Festival de Berlim. A atriz está cotada para a categoria feminina principal e busca repetir o que aconteceu com a Melissa McCarthy, colega de elenco de “Missão Madrinha de Casamento. Isso significa dizer que ganhou maior credibilidade junto aos pares ao migrar mais para o drama. Melissa fez isso com “Poderia me Perdoar?” e a Rose com “If I Had Legs I´d Kick You”. 

O Andrew Scott, por outro lado, está em ascensão desde “Fleabag”. Esteve no radar da Academia por “Todos nós Desconhecidos”. Foi bastante elogiado na minissérie “Ripley”, da Netflix, e, agora, aparece com chances em Ator Coadjuvante por “Blue Moon”. A vitória na Berlinale ajuda, mas, precisa de uma campanha forte da Sony Pictures Classics para não ser esquecido. 

JENNIFER LOPEZ

Por fim, tem a Jennifer Lopez: a estrela enfrentou uma esnobada pesada fruto do preconceito contra ela por “As Golpistas”. A nova versão de “O Beijo da Mulher-Aranha” é a tentativa definitiva para driblar a Academia. A exibição em Sundance no início do ano destacou o trabalho da estrela no mesmo papel vivido por Sonia Braga nos anos 1980.  

Produzido pela J.Lo, o novo “O Beijo da Mulher-Aranha” tem esta missão de colocá-la em Melhor Atriz Coadjuvante do Oscar 2026. Ela está no páreo, mas, terá um páreo até mais difícil do que enfrentou quando tinha a chance de ser indicada por “As Golpistas”.