Caio Pimenta traz os 7 principais motivos para a queda de Timothée Chalamet em Melhor Ator no Oscar 2026.

Sete fatores ajudam a explicar a crise enfrentada pela estrela de “Marty Supreme”. 

FATOR 1: POLÊMICA COM JOSH SAFDIE

A primeira delas reside na polêmica do diretor Josh Safdie. Para quem não sabe, uma história dos bastidores de “Bom Comportamento”, filme de 2017 estrelado pelo Robert Pattinson, foi revelada no fim de janeiro. Na ocasião, o cineasta comandou uma cena envolvendo uma garota de 17 anos e o ator Buddy Duress, sujeito com histórico criminal.   

Durante as filmagens, Buddy estava sob efeito de drogas e fez várias insinuações de cunho sexual para a garota, deixando-a constrangida, sem que ninguém interviesse. Segundo a imprensa norte-americana, Josh não sabia da situação, mas, o caso foi o pivô para a separação dele com Benny, irmão e co-diretor de “Bom Comportamento”.  

Toda esta história explodiu após as indicações e causou um abalo significativo na campanha de “Marty Supreme”. Timothée Chalamet tentou se desvencilhar do caso, evitando aparecer publicamente com Josh Safdie. Somente no Actors Awards que ambos foram vistos juntos novamente.  

Casos como esse são devastadoras porque criam imagens negativas para além dos envolvidos, repercutindo nos filmes. Basta lembrar como “Emilia Pérez” saiu do posto de um candidato forte ao Oscar nas categorias máximas para coadjuvante após as polêmicas envolvendo Karla Sofia Gascón e Jacques Audiard. Para piorar, quando a situação envolve um diretor, figura fundamental para divulgar um candidato ao Oscar, isso prejudica uma série de planos e estratégias para a temporada. 

 2. PROBLEMAS COM FAMÍLIA DE MARTY REISMAN

As tretas, entretanto, não se resumiram exclusivamente a Josh Safdie. A família de Marty Reisman, mesa-tenista que o filme é levemente inspirado, não gostou nada da abordagem do longa da A24.  

Os principais pontos questionados referem-se ao fato do personagem ser um golpista e uma figura ausente para aqueles que o amam. O neto de Marty, aliás, afirmou que a família não recebeu um centavo sequer, enquanto produtores lucraram milhões com a obra. 

Não chega a ser uma novidade causos do tipo em Hollywood, mas, em tempos de redes sociais em que os escândalos ganham proporções ainda maiores com julgamentos rápidos, é o suficiente para provocar estragos. Os dois casos, aliás, são típicos de temporadas de premiação, muitas vezes disparados por estúdios rivais. 

3. MOMENTO DE BAIXA DE ‘MARTY SUPREME’

Se “Marty Supreme” passa por um momento de baixa, todos os demais rivais de Chalamet estão em alta. Michael B. Jordan vê “Pecadores” em grande fase, aclamado pelo Sindicato dos Atores, a ponto de ganhar Melhor Ator e Elenco no Actors Awards.  

A Neon intensificou a campanha de Wagner Moura, protagonista de “O Agente Secreto”, um dos filmes mais aclamados da temporada. Leonardo DiCaprio pode até não estar forte, mas, chega com o favorito “Uma Batalha Após a Outra”, enquanto Ethan Hawke traz o carinho da indústria por ser um veterano ainda sem estatueta. 

4. VALORIZAÇÃO DA EXPERIÊNCIA EM MELHOR ATOR

O Oscar de Melhor Ator é uma categoria historicamente voltada para prestigiar intérpretes mais velhos.  

Se em Melhor Atriz Jennifer Lawrence foi premiada aos 22 anos e Mikey Madison com 25, o mais jovem ganhador da categoria masculina é o Adrien Brody, em 2002, com “O Pianista”; na época, ele tinha 28 anos de idade. Antes dele, Marlon Brando e Richard Dreyfus com 30 anos e Maximilian Schell aos 31 foram outros ‘novinhos’ a serem premiados.  

De modo geral, porém, a média dos ganhadores costuma ficar entre os 40 e 50 anos de idade. Com apenas 30 anos, Timothée Chalamet encara este desafio pela segunda vez consecutiva: em 2025, mesmo tendo vencido o SAG, não repetiu o feito na Academia com “Um Completo Desconhecido”.

5. CAMPANHA ACIMA DO TOM

Igual Lady Gaga com “Casa Gucci” e Bradley Cooper em “Maestro”, o Timothée Chalamet pesou a mão durante a campanha. O anúncio de “Marty Supreme” no topo do Sphere, espetacular casa de shows em Nevada, as sessões com entrevistas de importantes nomes que passaram pela carreira dele e a pretensa humildade após dizer que queria se igualar a lendas como Marlon Brando e Daniel Day-Lewis ao receber o SAG ano passado foram mal vistas em Hollywood. Fator que faz aumentar resistências contra ele. 

 6. CARÁTER DO PERSONAGEM

Para piorar, o caráter do personagem também pesa contra o astro. O protagonista de “Marty Supreme” é um oportunista, disposto a passar sobre tudo e todos para conseguir atingir os objetivos dele. A antipatia é muito maior contra ele, especialmente, em um duelo contra um pai lutando para viver em paz com o filho e dois homens negros duelando contra o racismo e vampiros nos EUA. 

Personagens difíceis de serem acolhidos pelo público não costumam ganhar em Melhor Ator, pelo menos, nos tempos recentes. Joaquin Phoenix, por exemplo, venceu como Coringa sendo um anti-herói que o público chega a apoiar pelas humilhações que enfrenta no drama do Todd Phillips. 

Daniel Plainview, de “Sangue Negro”, foi o último personagem com índole mais reprovável a vencer o Oscar. Bom lembrar que isso aconteceu lá em 2008. 

 7. ‘MARTY SUPREME’ SUPERESTIMADO

Por fim, “Marty Supreme” também nada ajudou o Timothée Chalamet. Após um bom período de indicações, o filme perdeu o fôlego e parou de se destacar. A queda foi tão grande que saiu de mãos vazias do Bafta em que concorria a nove categorias assim como do Actors Awards. Se as indicações fossem hoje, acredito que não chegaria a Melhor Direção e correria risco de ficar fora de Casting.   

Na minha visão, considero este apagamento justo. Perto de “Bom Comportamento” e “Joias Brutas”, “Marty Supreme” é o mais convencional dos filmes do Josh Safdie. Demonstra, inclusive, cansaço de certos maneirismos do diretor e roteirista, além de não conseguir dar conta da gama rica, mas, mal explorada de personagens coadjuvantes. De fato, o longa da A24 vale mesmo por conta do Timothée Chalamet.