Caio Pimenta analisa o sobe e desce dos principais candidatos ao Oscar 2025 após a premiação do Globo de Ouro.
EM ALTA
O Globo de Ouro mostrou que o prêmio de Melhor Animação não será tão tranquilo para as superproduções norte-americanas como se pensava.
Vindo da Letônia, “Flow” manteve o ótimo desempenho junto aos críticos e conquistou a categoria. A animação sobre um gatinho com medo de água em um mundo inundado se mostra resiliente mesmo diante de “Robô Selvagem” e “Divertida Mente 2”. O filme europeu ainda pode contar com o bom retrospecto: todos os quatro vencedores da Academia venceram antes no Globo de Ouro, incluindo, no ano passado, o japonês “O Menino e a Garça” superando o norte-americano “Aranhaverso”.
Por outro lado, atenção para os times de “Robô Selvagem” e “Divertida Mente 2”: se a DreamWorks Animation conta com os elogios praticamente unânimes ao filme, a Pixar tem a tradição e o fenômeno de bilheteira a seu favor. Perder para uma animação da Letônia seria quase uma humilhação em termos de investimento e competitividade de campanha.
Já falei sobre a Demi Moore e a categoria de Melhor Atriz no vídeo da Fernanda Torres, mas é inegável apontar que a vitória dela como protagonista feminina de comédia ou musical foi gigantesca, ainda mais pela concorrência que tinha pela frente. Isso, somado ao discurso de superação, cria uma narrativa de comeback perfeita rumo ao Oscar, o que poderia amenizar o estilo “pesadão” restritivo para muitos de “A Substância”. Saiu do Globo de Ouro caminhando para ser a favorita da categoria.
A noite também foi ótima para “O Brutalista”: venceu Melhor Filme e Ator de Drama com Adrien Brody, além de Direção para Brady Corbet. Deixou para trás com sobras “Conclave”, que ficou apenas com Roteiro.
No Globo de Ouro, “O Brutalista” conseguiu assumir a dianteira definitiva dentro da A24, com “Sing Sing” nem sequer fazendo cócegas, e se distanciou de “Conclave” e “Anora”. O desafio para o Oscar são dois: 1) diminuir a resistência de uma parcela dos votantes ao fato de ter quase quatro horas de duração; e 2) barrar uma produção que pinta como um fenômeno.
“Emilia Pérez” já dava indícios de que vinha forte ao ter conseguido 10 indicações ao Globo de Ouro, o maior número para uma comédia ou musical. Venceu quatro categorias, sendo três delas com folga: Canção Original, Atriz Coadjuvante para a superfavorita Zoe Saldaña e, infelizmente para o Brasil, Filme Internacional. O desafio era a categoria máxima. A conquista sobre “A Substância”, “Wicked” e, principalmente, “Anora”, deixa evidente que o musical francês pode ir muito longe na temporada.
A ideia de que “Emilia Pérez” não resistirá até o final, por conta de muitas críticas pesadas, especialmente dos mexicanos, me parece que não vai acontecer. Sinto que a imagem de uma produção surpreendente, nunca antes vista, um musical com a temática trans de fundo, ecoa mais forte. Fora que a resistência por ser uma obra de língua não inglesa pode ser quebrada pela globalização do filme — obra da França, falada em espanhol e ambientada no México — e com duas grandes estrelas de Hollywood: Zoe Saldaña e Selena Gomez. Cenário perfeito.
Para completar, assim como Zoe Saldaña, Kieran Culkin caminha bem tranquilamente para ganhar o Oscar de Ator Coadjuvante por “A Verdadeira Dor”. Resultado bastante previsível no Globo de Ouro.
Nas indefinições da temporada, importante resultado do Sebastian Stan ao ganhar Ator de Comédia ou Musical por “Um Homem Diferente”. No discurso, ele fez questão de lembrar da participação em “O Aprendiz”, realçando o ano excelente que teve. Daniel Craig que se cuide, enquanto Hugh Grant foi com Deus.
EM BAIXA
Se há vencedores de um lado, inevitavelmente há perdedores do outro. O Globo de Ouro 2025 fez algumas produções e executivos passarem uma noite de terror.
Ok, que as indicações não foram muito animadoras para “Duna 2”, mas ainda havia a esperança de Hans Zimmer vencer em Trilha Sonora. Não veio e, como se não bastasse, a apresentadora Nikki Glaser tirou uma onda, dizendo que só conseguiu ficar acordada ao ver Zendaya.
Timothée Chalamet e Ralph Fiennes estão em alerta para o Critics’ Choice após a vitória de Adrien Brody. Uma nova conquista ali pode criar uma tendência irreversível para o astro de “O Brutalista”. Karla Sofia Gascón sofreu a única derrota mais sentida de “Emilia Pérez”.
Ninguém, porém, foi pior do que “Anora”: perdeu todas as cinco categorias em que estava indicado. A situação fica ainda mais embaraçosa quando se nota que todos os finalistas de Filme Comédia ou Musical saíram premiados, incluindo “Rivais”, que conquistou Melhor Trilha Sonora.
“Anora” precisa ganhar algo importante no Critics’ Choice para não enfrentar o período de votação dos indicados ao Oscar em baixa. O alento é que ganhadores recentes da Academia, como “Spotlight” e “Coda”, fizeram péssimos Globos. Quem sabe a história não se repete?


















