De Bradley Cooper a Paul Mescal, Caio Pimenta traz as previsões iniciais para o Oscar 2026 de Melhor Ator Coadjuvante.
POUCAS CHANCES
O eterno Luke Skywalker deve, infelizmente, ser tombado nesta temporada de premiações.
Em “A Vida de Chuck”, o Mark Hamill faz uma atuação muito bonita como avô do protagonista e peça-chave para o grande segredo da trama. Seria um personagem capaz de ter destaque em outras temporadas, mas, na atual com o filme da Neon caindo pelas tabelas, a tendência é que fique esquecido.
Stephen Graham vive um ano mágico de reconhecimento, especialmente pela minissérie “Adolescência”, pela qual, inclusive, venceu o Emmy. No Oscar, o desafio será maior para chegar a Ator Coadjuvante por “Springsteen”. O ator interpreta o pai do protagonista no filme do Scott Cooper. O grande problema é o duelo interno com o Jeremy Strong que está bem na frente dele. Tudo leva a crer que não será desta vez a primeira presença dele na festa da Academia.
Atuar ao lado de Daniel Day-Lewis ajuda qualquer um a brilhar. Esta é a ficha principal do Sean Bean para chegar a Melhor Ator Coadjuvante em “Anemone”. A grande questão é que o longa não foi nada bem perante a crítica salvando-se apenas o desempenho do três vezes vencedor do Oscar.
A imprensa internacional se derreteu pelo Billy Crudup em “Jay Kelly”. O ator tem uma cena de destaque fazendo um ex-colega do personagem-título do George Clooney, um sujeito ressentido por considerar que o amigo tirou oportunidades de trabalho no passado. Atrapalha demais que o Adam Sandler é uma opção em posição melhor pelo mesmo filme. E se a Academia resolver prestigiar uma mesma produção na categoria com duas indicações dificilmente pela dramédia do Noah Baumbach.
Não será desta vez que o Robert Pattinson conseguirá a tão sonhada indicação ao Oscar. Toda campanha da MUBI para “Morra, Amor” será para ainda salvar a vaga da Jennifer Lawrence em Melhor Atriz. Qualquer coisa para além disso, soa muito improvável.
Situação semelhante ao Diego Luna: a Roadside Attractions deve focar toda a campanha de “O Beijo da Mulher-Aranha” nas áreas técnicas e na Jennifer Lopez para Atriz Coadjuvante. O histórico do personagem na Academia ainda atrapalha: na consagrada versão original, Raul Julia foi esnobado na categoria. Por que acreditar que agora seria diferente?
Para fechar a turma com poucas chances, o Bradley Cooper em “Is This Thing On?”. No filme, ele interpreta um ator que ainda não aconteceu na carreira e o melhor amigo do protagonista vivido por Will Arnett. Com um ar hipster, a descrição lembra o estilo mais louco de “Licorice Pizza”, servindo como o alívio cômico da trama. A crítica o elogiou bastante no Festival de Nova York, mas, nada que altere a corrida tanto assim.
CHANCES MÉDIAS
O Andrew Garfield abre o time com chances médias por “Depois da Caçada”. O eterno Peter Parker caiu junto com o drama do Luca Guadagnino após a série de polêmicas em Veneza. Tudo leva a crer que deva ser esquecido ao longo da temporada.
O Jonathan Bailey bateu na trave na última temporada ao ser indicado ao SAG, mas, ficar fora do Oscar. Caso “Wicked: Parte 2” cumpra tudo o que se espera e encerre a história com chave de ouro, o astro pode retornar à conversa. A questão é saber se o intérprete do príncipe consegue surpreender tanto quanto vimos na primeira parte.
O mais confiável dos coadjuvantes de Hollywood, o William H. Macy busca retornar ao Oscar após quase 30 anos da indicação por “Fargo”. Em “Train Dreams”, ele chama a atenção nas poucas cenas que possui como um especialista em explosivos supersticioso e importante para a jornada do protagonista vivido pelo Joel Edgerton. Depende muito do filme se tornar aquele queridinho de alas mais artísticas da Academia, um tesouro a ser descoberto como “Nickel Boys”. Se conseguir, pode ser a melhor possibilidade nas categorias de atuação.
Já o Miles Caton é a revelação do elenco de “Pecadores”. No trabalho de estreia, não se inibe ao lado de estrelas como Michael B. Jordan e veteranos como Delroy Lindo. Fora a participação fundamental no momento mais importante da história.
O grande problema não apenas para Caton, mas, para todos aqueles que tentarão vagas individuais de atuação nas categorias de coadjuvante por “Pecadores” é que o elenco é muito coeso, difícil você destacar alguém ali. Logo, os votos podem se pulverizar para vários candidatos. Neste sentido, o caminho mais fácil para o terror do Ryan Coogler seja Direção de Casting, onde, de alguma maneira, você prestigia o elenco como um todo.
GRANDES CHANCES
Apesar deste cenário, vejo o Delroy Lindo com grandes chances de indicação. Vale lembrar que ele teve uma das maiores esnobadas da década cinco anos atrás também em coadjuvante por “Destacamento Blood”. Logo, ‘Pecadores’ pode servir para amenizar a situação, já que o ator nunca foi indicado ao Oscar.
O Josh O’Connor teve um ano agitadíssimo com “The History of Sound” e “The Mastermind”, ambos lançados em Cannes, além de ter participado do drama “Reconstrução”. As chances para o Oscar, entretanto, devem acontecer pelo trabalho mais pop dele em 2025: em “Vivo ou Morto”, na terceira parte de “Entre Facas e Segredos”, ele foi altamente elogiado como o ex-boxeador que virou padre. Muitos dos dilemas da trama, inclusive, passam por ele. Caso a produção da Netflix consiga chamar a atenção nesta reta final do ano, ele pode crescer e conseguir a última vaga da categoria.
Por “Blue Moon”, o Andrew Scott chega credenciado pelo prêmio conquistado em Berlim no início do ano. Por ser um dos raros eventos que prestigiam atores secundários, acaba sendo um holofote importante. No longa do Richard Linklater, ele interpreta Richard Rodgers, compositor mundialmente conhecido pelo espetáculo “Oklahoma!”.
A produção da Sony Pictures Classic está crescendo na temporada, segundo a imprensa norte-americana, e entre os dois filmes do Linklater lançados em 2025 é aquele com mais potencial para o Oscar. Isso graças ao elenco. Vale ainda destacar que o Andrew Scott é um nome em alta no cinema americano, indicado recentemente ao Emmy por “Ripley” e chegou perto da indicação a Melhor Ator com “Todos Nós Desconhecidos”. Possível que a Academia o reconheça agora com “Blue Moon”.
O Jacob Elordi busca também aquela vaga para novos nomes de Hollywood. Após “Saltburn” e “Priscilla”, o galã encontra a maior oportunidade da carreira de aparecer no Oscar com “Frankenstein”. Mesmo fazendo a criatura monstruosa, ele desperta empatia graças ao olhar trágico, dando humanidade ao personagem, segundo a imprensa internacional. Tudo isso por baixo de uma maquiagem exaustiva de horas e horas para ficar pronta.
Certamente terá muitas resistências da Academia para o Elordi ser indicado, seja pela juventude ou pelo tipo de personagem. Tudo dependerá de como “Frankenstein” será recebido pela Academia e do quanto a entidade estará disposta a abraçá-lo.
Em “Springsteen”, o Jeremy Strong interpreta Jon Landau, lendário produtor musical e uma espécie de mentor que alavanca de vez a carreira do roqueiro. Não seria muito diferente do que já levou o próprio ator para a categoria ao fazer Roy Cohn em “O Aprendiz”.
Nestas comparações, é inevitável também não lembrar do Edward Norton, o qual chegou à quarta indicação da carreira em um personagem semelhante em “Um Completo Desconhecido”. Somado ao combo transformação visual e o detalhismo com que constrói cada personagem, o Jeremy Strong está bem forte para ser indicado.
Agora, se a Academia realmente estiver disposta a consagrar “Uma Batalha Após a Outra”, o Benicio del Toro certamente terá espaço em Ator Coadjuvante. O porto-riquenho está hilário como uma espécie de mestre Yoda do caos em contraste com o desespero amalucado do Leonardo DiCaprio. Se o protagonista brilha, muitas vezes, se deve ao nosso querido Sensei.
Teve uma época em que o Benicio Del Toro virou queridinho da Academia: ganhou Ator Coadjuvante em 2001 por “Traffic” e três anos depois foi indicado novamente por “21 Gramas”. “Uma Batalha Após a Outra” é a pedida perfeita para marcar esta retomada do relacionamento. Até porque indicação dupla do mesmo filme na categoria é mais do que normal: foi assim com “Três Anúncios para um Crime”, “O Irlandês“, “Judas e o Messias Negro“, “Ataque dos Cães” e “Os Banshees de Inisherin”.
O Adam Sandler é o mistério da categoria: é possível dizer que ele está quase lá. Interpretando o gerente de Jay Kelly, o astro adota uma linha mais contida e emocional do que o público costuma ver nas comédias. Tanto a crítica europeia quanto a norte-americana sempre o coloca como um dos destaques da dramédia do Noah Baumbach. O problema é que toda vez que ele parecia que seria indicado, justamente o oposto aconteceu com esnobadas doloridas por “Joias Brutas” e “Arremessando Alto”.
Sinto que estes dois casos foram pedágios que o comediante pagou para ser levado a sério pela Academia. É uma forma cruel de estimular aquele ator a não desistir de investir em produções mais ousadas artisticamente ao mesmo tempo que fica o pé atrás de não o abraçar logo na primeira obra mais diferente.
A tendência é que, desta vez, enfim, o Adam Sandler seja indicado ao Oscar. A vaga é quase certa em Melhor Ator Coadjuvante.
FAVORITOS ÀS INDICAÇÕES
Chegamos, então, ao trio de protagonistas com vagas garantidas no Oscar 2026.
A Focus Features não arriscou e decidiu colocar o Paul Mescal entre os coadjuvantes. A decisão foi mais do que acertada, pois, não apenas garante a vaga como o coloca na briga pela vitória. Premiar um intérprete como William Shakespeare seria um fato inédito no Oscar. O fato de ser um contraponto angustiado, mas, silencioso e contido a Jessie Buckley no drama vem chamando à atenção da crítica internacional.
O Paul Mescal é um dos nomes mais fortes da nova geração no cinema mundial. A celebrada indicação por “Aftersun” foi uma prova disso; não fosse o barulho do público e da crítica, talvez, o irlandês tivesse ficado de fora. Hollywood apostou nele para a continuação de ‘Gladiador’ e agora ele se apresenta para o Oscar com “Hamnet”.
Para vencer, ele joga as fichas na força do longa da Chloé Zhao. Por outro lado, o favoritismo da Jessie Buckley em Melhor Atriz pode fazer com que a Academia opte em prestigiar outra produção aqui em Ator Coadjuvante.
Falando dos favoritos da temporada, “Uma Batalha Após a Outra” deve render a sexta indicação da carreira do Sean Penn. E não é para menos: o californiano está fantástico como um militar racista apaixonado pela personagem de Teyana Taylor e caçando ferozmente o antigo grupo guerrilheiro dela. Caricato na medida, a atuação é uma das melhores da carreira dele.
Apesar das polêmicas políticas que vez ou outra se envolve, o Sean Penn tem prestígio suficiente na Academia para que estas situações passem sem colar nele. Se a vaga está certa, a grande questão é a vitória ou não. Aposto mais que não deve ocorrer por ele já ter duas estatuetas, logo, o Oscar pode querer prestigiar nomes mais antigos ou talentos novatos. Agora, se “Uma Batalha Após a Outra” chegar como imbatível na temporada, empilhando prêmios, o Sean Penn será o favorito.
Atualmente, considero o Stellan Skarsgard como o nome a ser derrotado em Melhor Ator Coadjuvante. Nome seguro do cinema mundial tendo já trabalhado com grandes cineastas como Gus Van Sant, Steven Spielberg, Lars Von Trier, além de ter passado por sucessos mundiais como o Universo Marvel e “Duna”, o sueco encontra o grande trabalho da vida em “Valor Sentimental” aos 74 anos. A presença na categoria marcará a primeira e tardia indicação dele ao Oscar.
Este cenário de um grande ator que, até então, sequer fora indicado ao Oscar vencer na primeira vez que concorre não é uma novidade em Ator Coadjuvante: o Sean Connery com “Os Intocáveis” é o melhor exemplo disso. No caso do Stellan, há o fato da idade em que pode ser até a única oportunidade deste porte para a Academia em premiá-lo.
Fora que caso a Renate Reinsve perca em Melhor Atriz e não haja chances em Atriz Coadjuvante, o sueco pode ser a forma de reconhecimento de “Valor Sentimental” nos prêmios de atuação, um dos pontos altos do filme.
Atualmente, acredito que o Stellan Skarsgard, Sean Penn, Paul Mescal, Adam Sandler e Benicio del Toro serão os indicados a Melhor Ator Coadjuvante no Oscar 2026.
































