Caio Pimenta aponta quais os filmes que mais decepcionaram ao longo da temporada de premiações rumo ao Oscar 2026.
10. ANEMONE
O décimo lugar fica com um filme que nem uma lenda da história do cinema foi capaz de salvar.
Daniel Day-Lewis saindo da aposentadoria, assumindo também o roteiro e dirigido pelo filho Roman. Combinação perfeita para ganhar o quarto Oscar da carreira e igualar Katharine Hepburn, certo? Infelizmente, “Anemone” não cumpriu nada do que foi esperado, sendo contestado pela crítica e esquecido pela indústria.
Chama atenção que as seis indicações da carreira do Daniel Day-Lewis foram por produções indicadas a Melhor Filme. Quando o longa não vai bem, ele dificilmente consegue vingar no Oscar. Neste sentido, “Anemone” se junta a “A Insustentável Leveza do Ser”, “A Época da Inocência”, “O Lutador” e “Nine”.
9. O BEIJO DA MULHER-ARANHA
A temporada não foi nada boa para os musicais e “O Beijo da Mulher-Aranha” comprova isso na nona posição. A nova versão já tinha o desafio de se desvencilhar do drama de Hector Babenco, ganhador de um Oscar na edição de 1986. O Bill Condon aposta na emulação aos musicais da era de ouro e até consegue extrair número belíssimos, mas, a ideia de focar no espetáculo e suas musas deixando a política de lado fez a produção perder a contundência.
Pode até não ser maravilhoso, mas este novo “O Beijo da Mulher-Aranha” é um bom musical com uma excelente atuação do Tonatiuh, compensando os desempenhos abaixo da Jennifer Lopez e do Diego Luna. Por fim, considero a esnobada completa no Oscar bastante injusta, especialmente, por conta dos excelentes figurinos e design de produção.
8. O TESTAMENTO DE ANN LEE
Ainda nos musicais, a dupla Mona Fastvold e Brady Corbet não conseguiram repetir o êxito de “O Brutalista” para chegar com “O Testamento de Ann Lee”. Apesar da boa passagem por Veneza e Amanda Seyfried ter sido cotada para Melhor Atriz desde o início da temporada, o filme passou bom tempo sem distribuidora, o que demorou para criar uma estratégia certeira para a temporada.
A produção se acertou com a Searchlight Pictures, mas, o estúdio fez uma temporada desastrosa acumulando fracassos: além de “Ann Lee”, “Isso Ainda Está de Pé?”, “Os Roses” e “Família de Aluguel” foram outras decepções da empresa. Resta esquecer 2026.
7. DEPOIS DA CAÇADA
“Depois da Caçada” tinha um timaço liderado por Julia Roberts e com Luca Guadagnino em grande fase como maestro. As escolhas do italiano de homenagear Woody Allen e um ponto de vista longe do consensual sobre cancelamento a partir de um caso de denúncia de assédio chocou a imprensa em Veneza. Ali, o drama praticamente não conseguiu reverter o cenário, sumindo gradativamente na temporada.
Por ser uma das maiores estrelas de Hollywood de todos os tempos, a Julia Roberts até chegou a ser indicada ao Globo de Ouro de Melhor Atriz de Drama, mas, ficou apenas nisso. Acredito que o tempo será capaz de julgar melhor se “Depois da Caçada” é ou não um grande filme como Guadagnino parece acreditar.
6. CASA DE DINAMITE
O sexto lugar das decepções fica com “Casa de Dinamite”. Vencedora do Oscar por “Guerra ao Terror”, a Kathryn Bigelow tinha o tema certo nas mãos – a escalada das tensões diplomáticas virando uma tragédia nuclear sem precedentes. Infelizmente, a decisão de fatiar a história em três partes, iniciando sempre do mesmo momento, tira a força do longa.
Lembrando aqui de histórias tensas esquecidas neste Oscar, também está “O Ônibus Perdido”. A sensação que tenho é que tanto o cinema da Bigelow como do Paul Greengrass parecem já fáceis demais de serem decifrados, o que leva a um certo cansaço em relação a ambos. Não que sejam ruins, mas, deixaram de surpreender.
5. SPRINGSTEEN
Antes da temporada começar, imaginava-se que o duelo de Melhor Ator seria entre Timothée Chalamet e Jeremy Allen White. Se o astro de “Marty Supreme” confirmou as expectativas e hoje é favorito à categoria, a estrela de “Springsteen” não vingou.
O grande problema nem era ele, mas, sim a incapacidade do diretor Scott Cooper em conseguir extrair mais de uma história incomum para o gênero.
A sensação que tenho é o Scott Cooper não tem cacife para pegar uma abordagem mais ousada como “Springsteen” poderia ter. Ao apostar no trivial, fez um filme esquecível.
4. A ÚNICA SAÍDA
O quarto lugar das decepções fica com “A Única Saída”. O Park Chan-Wook acumula mais um flop junto à Academia após “Oldboy”, “A Criada” e “Decisão de Partir”. Desta vez, foi ainda pior, afinal, o filme saiu elogiado de Veneza, ganhou o prêmio do público em Toronto, comprado pela Neon e chegou a ser cotado para Melhor Filme, Direção, Ator e Roteiro Adaptado. No fim das contas, acabou com nada.
Dos últimos filmes do Park Chan-Wook, infelizmente, para mim, “A Única Saída” é o mais fraco. A sofisticação na construção dos planos continua excelente, mas, a sensação é que a produção se enrola na dosagem do drama com humor ácido. Em muitos momentos, fica confuso e nos piores você simplesmente sai da história. São muitas distrações que vão cansando. Diferente dos outros três casos citados, aqui, a esnobada foi justa.
3, CORAÇÃO DE LUTADOR
A medalha de bronze das decepções fica com “Coração de Lutador”. A A24 anunciou que seria o filme capaz de levar Dwayne Johnson ao Oscar pela primeira vez. Ao lado de Emily Blunt e do diretor Benny Safdie, premiado em Veneza, imaginava-se que ele iria longe pela transformação visual e entrega física. Ficou tudo mesmo na promessa.
O Dwayne Johnson enfrenta dois problemas: há uma resistência a ele por conta da carreira marcada por filmes de ação, estigma que comediantes também lidam, e a sensação de que ele não fez nada do que já não conhecíamos antes, afinal, The Rock é uma das lendas do wrestling. Para completar, a categoria estava forte com sete nomes cotados até o fim das indicações, algo que não ocorre todo ano em Melhor Ator. Soma-se a isso que “Coração de Lutador” é bem qualquer coisa e restou a esnobada.
2. JAY KELLY
“Jay Kelly” está na segunda posição das decepções da temporada. A Netflix certamente apostava na dramédia do Noah Baumbach como o carro-chefe do estúdio ao lado de “Frankenstein”. A obra, entretanto, nunca decolou, deixando George Clooney e Adam Sandler sem chances nas categorias de atuação.
Interessante que “Jay Kelly” não chega a ser um filme ruim; eu, inclusive, gosto com moderações. A grande questão aqui é você se importar com mais uma história dos bastidores do cinema, focada nos dilemas de um astro milionário, sofrendo em uma mansão milionária cercado de puxa-sacos diante do mundo atual.
Fora que há uma pergunta que me faço desde que vi o filme: George Clooney é um ator tão fantástico assim para merecer uma homenagem deste porte? Respeito a trajetória dele, o que ele representa, mas, quando você pensa em outras estrelas de Hollywood da própria geração dele como Leonardo DiCaprio e Brad Pitt, fico pensando se não é exagerado.
1. WICKED – PARTE 2
A maior decepção da temporada, sem dúvida, é “Wicked – Parte 2”. Quando Ariana Grande e Cynthia Erivo subiram no palco do Oscar para um dueto em 2025, imaginava-se que ambas voltariam no ano seguinte. A certeza virou fiasco com uma continuação criticada pela bagunça total mal comandada por Jon M. Chu.
Claro que houve exageros por parte da Academia em esnobar o musical em Design de Produção e Figurino, mas, “Wicked 2” errou em praticamente tudo, inclusive na campanha com os excessos da Ariana e Cynthia, e estratégias equivocadas da Universal Pictures. Virou um caso a não se seguir.





















