Toda temporada de premiações sempre fica aquela dúvida sobre o nível da edição atual. Está mais fraca ou melhor em comparação aos últimos anos?  

Neste novo vídeo, eu busco responder esta pergunta. Já posso adiantar que o Oscar 2026 está em um nível acima da média. 

OS MAIS FRACOS

Para ficar mais simples de acompanhar, vou dividir aqui todos os indicados nos anos 2020 por estrelas – de 1 a 5.  

Neste Oscar 2026, não considero que tenhamos alguma bomba ou filme ruim. Para mim, a temporada traz obras de regulares para cima.  

Três longas dividem o posto de obras mais fracas da lista. “Bugonia” traz ares de repetição na parceria entre Yorgos Lanthimos e Emma Stone. A duas vezes ganhadora de Melhor Atriz está ótima, mas, a estranheza do filme do grego soa cômoda demais, piorada por um roteiro do Will Tracy repetindo as críticas aos milionários feitas bem melhor em “Succession“. A reviravolta do final é possível de avistar logo no começo, o que tira o peso da tensão entre os personagens. 

“F1” é o blockbuster exemplar onde tudo está bem encaixado: som, montagem, grandes cenas de ação e atores carismáticos. Ainda assim, a carinha de propaganda somada a um deja-vu inferior de “Top Gun: Maverick” tornam este um forte candidato para ser o mais esquecido dos próximos anos. Toda vez que um cinéfilo tentar lembrar quais foram os finalistas do Oscar 2026, a produção da Apple certamente será a última que vão falar. 

 

“Sonhos de Trem” começa muito bem ao trazer um protagonista isolado por não se encaixar na sociedade violenta, achando caminho na natureza. Tudo isso vai por água abaixo na reviravolta: dali em diante, o longa fica perdido sem saber para onde ir, virando um sub “A Árvore da Vida”. 

BONS FILMES

Subindo um degrau com os filmes três estrelas, coloco dois bons filmes da temporada. 

Apesar da parte técnica primorosa, a primeira parte de “Frankenstein” é bem qualquer coisa, um filme comum que até prende pela narrativa bem contada, mas, sem acrescentar nada. Somente a partir do foco na criatura em uma atuação surpreendente de Jacob Elordi é que Guillermo Del Toro consegue de fato dizer a que veio em uma trama sobre perdão e humanidade mesmo diante de um monstro. 

 

Já “Marty Supreme” está longe do nível de “O Bom Comportamento” e “Joias Brutas”, mas, ainda assim, consegue passar de ano. O Josh Safdie mantém aquela montagem acelerada, o caos organizado repleto de falatório interminável e uma situação mais insana que a outra. Tudo isso com uma atuação furiosa de Timothée Chalamet. Não é brilhante, mas, entrega o que promete. 

GRANDES FILMES

A partir de agora, o nível começa a ficar muito bom. 

 “Hamnet” marca a volta por cima de Chloé Zhao após o purgatório na Marvel. A chinesa retoma o contato com a natureza para trazer a história do amor de uma família e o renascimento dela após uma tragédia devastadora a partir da arte. Atuações brilhantes de Paul Mescal e, principalmente, Jessie Buckley, a mais do que certa vencedora de Melhor Atriz. 

“Pecadores” muda o patamar – já alto – da carreira do Ryan Coogler. A partir de uma história de vampiros, o cineasta, ao lado de um elenco brilhante, olha para o passado, o presente e o futuro dos negros nos EUA e ao redor do planeta. Um filme que denuncia, provoca, diverte, mete medo e impressiona demais. 

“Uma Batalha Após a Outra” não ser o melhor filme da filmografia do Paul Thomas Anderson diz mais da excelência de um diretor fenomenal do que pelas possíveis falhas dele. Uma trama caótica sobre uma sociedade e país caótico, capaz de rir de tudo aquilo. Com uma Teyana Taylor e Benicio del Toro brilhantes, a produção dá um show em diversas áreas técnicas, especialmente, na trilha sonora e montagem. 

OBRAS-PRIMAS

A temporada do Oscar 2026 ainda reserva duas obras-primas na minha visão. 

De modo superficial, “Valor Sentimental” poderia se encaixar como mais um drama familiar e sobre o mundo do cinema. Porém, como disse, é uma visão bastante superficial: o diretor Joachim Trier extrai uma história de como traumas e histórias trágicas dominam uma casa e seus habitantes, criando conflitos que nem sempre explodem, mas, doem e machucam de forma permanente. O cinema, porém, pode ser uma janela para enxergar o outro. Filmaço. 

Já “O Agente Secreto” sintetiza muito bem um país admirável por sua cultura e seu povo, mas, sufocado pelas estruturas de poder autoritárias por natureza junto com um pensamento de desenvolvimento que contempla uma região específica, deixando o resto com migalhas. O excepcional elenco liderado por Wagner Moura e a direção criativa de Kleber Mendonça Filho tornam o nosso representante simplesmente irresistível. 

Com metade da lista acima das quatro estrelas, filmes excelentes, o Oscar 2026 traz uma safra muito boa. E que poderia ser ainda melhor caso “Sorry, Baby”, “Sirât” ou “Foi Apenas um Acidente” aparecessem nos lugares de “F1”, “Bugonia” e “Sonhos de Trem”. 

OSCAR 2026: O SEGUNDO MELHOR DA DÉCADA

 

Na comparação com temporadas anteriores, o Oscar 2026 é a segunda melhor temporada da década. 

A pior de todas continua sendo a edição de 2021 vencida por “Nomadland”. Ali, os melhores filmes eram “Meu Pai” e “Bela Vingança”; ambos, porém, eram apenas quatro estrelas. 

 

A penúltima posição fica com o fraco Oscar de 2022: apesar da presença do maravilhoso “Drive My Car”, “King Richard” derrubava geral – para mim, o drama com o Will Smith é disparado o pior filme indicado na categoria máxima nesta década.  

 

O Oscar 2023 vem logo acima, mas, não muito distante: igual 2021, não havia nenhum filme cinco estrelas. Os melhores empatados como excelentes eram “Avatar – O Caminho da Água”, “Os Fabelmans”, “Tár” e “Top Gun: Maverick”. Já “Nada de Novo no Front”, “Elvis”, “Triângulo da Tristeza” e “Entre Mulheres” eram os mais fraquinhos. 

 

O Oscar 2020 foi uma edição de contrastes: se “Jojo Rabbit”, “Ford Vs Ferrari” e “1917” eram filmes bem regulares, por outro lado, tivemos três obras-primas com “Era uma Vez em Hollywood”, o vencedor “Parasita” e “O Irlandês”. 

 

A edição do ano passado fica na quarta colocação: como vocês sabem, sou apaixonado por “Anora”, o qual coloco fácil fácil como cinco estrelas. Mais abaixo está o nosso “Ainda Estou Aqui” e “A Substância”. O problema é a presença de “O Brutalista”, “Um Completo Desconhecido” e “Nickel Boys”. Não há lista que aguente. 

 

À frente do Oscar deste ano, apenas a grandiosa edição de 2024. 

Não podia ser diferente: “Anatomia de uma Queda” e “Assassinos da Lua das Flores” são clássicos modernos, enquanto “Oppenheimer”, “Barbie” e “Vidas Passadas” são produções de altíssimo nível. Nem mesmo os fracos “Ficção Americana” e “Maestro” colocam o Oscar 2024 para baixo.