Faltando pouco para as indicações ao Oscar 2025, a maior parte das vagas estão garantidas.

Difícil demais que “Anora”, “O Brutalista” e “Emilia Pérez” não estejam em Melhor Filme, Ralph Fiennes em Melhor Ator ou Demi Moore em Melhor Atriz.  

Restam poucas, mas, intensas disputas pelas indicações nesta altura do campeonato.

Neste novo vídeo do Cine Set, Caio Pimenta analisa quais são as últimas disputas para as indicações ao Oscar 2025 nas categorias principais.

MELHOR ANIMAÇÃO 

A primeira disputa bem indefinida neste momento está na categoria de Melhor Animação. “Flow”, “Robô Selvagem” e “Divertida Mente 2” estão confirmados. Sobram, então, duas vagas.

“Moana 2” seria o candidato natural por todo o histórico da Disney no prêmio, pelo fato de a Academia já ter indicado o primeiro filme em 2017, e chega credenciado por ter sido a quarta maior bilheteira de 2024. Apesar disso, a animação passa longe de empolgar com uma história que está longe da qualidade de outros filmes do estúdio, ainda que a beleza seja inegável.

Eis que surgem então “Wallace & Gromit: Avengança”, continuação do sucesso ganhador de 2006 da categoria, e “Memórias de um Caracol”, uma das obras mais elogiadas de 2024, dirigida por Adam Elliot, o mesmo diretor do querido “Mary & Max”.

Caso a Academia queira ser mais ousada e fugir do lugar comum, “Moana 2” acaba ficando de fora.

FILME INTERNACIONAL

A categoria de Melhor Filme Internacional também traz duas vagas em aberto. Fique tranquilo que não envolve “Ainda Estou Aqui“: o candidato brasileiro, assim como o francês “Emilia Pérez” e o alemão “A Semente do Fruto Sagrado”, estão garantidos.

A Europa está de olho nas indicações. Da Letônia, “Flow” quer realizar o feito de uma dupla indicação. A vitória no Globo de Ouro de Melhor Animação em cima de grandes sucessos de Hollywood como “Divertida Mente 2” e “Robô Selvagem” empolga, mas, contra dramas históricos, sinto que a situação para ele complica.

O irlandês “Kneecap” com Michael Fassbender no elenco se saiu bem na longlist do Bafta, mas acredito mais na tradição italiana com “Vermiglio”, premiado em Veneza, e “A Garota da Agulha”, produção da Dinamarca, país que apareceu sete vezes em Melhor Filme Internacional desde o início da década passada.

ROTEIRO ORIGINAL

Se Roteiro Adaptado tudo parece bem encaminhado, os originais têm uma vaga ainda à espera de definição. E tudo vai depender do grau de conservadorismo ou não da Academia.

Caso a Academia queira se arriscar, “Tudo o que Imaginamos como Luz” seria um outsider perfeito. Uma história feminista vinda da Índia, demonstrando de uma vez por todas o grau de internacionalização dos votantes. Agora, se for no mais do mesmo, sempre o caminho britânico do Mike Leigh de “Hard Truths” e o thriller político ambientado em um célebre momento histórico de “Setembro 5”.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Apesar da esnobada no SAG, Guy Pearce, na minha visão, estará entre os indicados ao Oscar 2025 de Melhor Ator Coadjuvante pela força que “O Brutalista” deve ter na Academia. Kieran Culkin, Yura Borisov e Edward Norton estarão ao lado dele. Resta uma vaga.

Aqui, a Academia tem três opções: Jeremy Strong vive Roy Cohn em “O Aprendiz”, uma das figuras mais repugnantes do submundo da política e Judiciário dos EUA. Apesar do personagem ser asqueroso, a atuação do astro de “Succession” é um dos pontos altos do polêmico filme de Ali Abbasi, retratando todo o poder e depois a queda de Cohn. Papel gigante com atuação do mesmo naipe.

Clarence Maclin tem a narrativa de ser a prova viva da capacidade da arte em transformar as pessoas. Falta a ele, porém, que “Sing Sing” decole na temporada, algo que não aconteceu nem parece que irá ocorrer. Já Jonathan Bailey depende do quão a Academia estará disposta a abraçar “Wicked”: o SAG, prêmio do Sindicato dos Atores dos EUA, mostrou que o musical é bastante querido em Hollywood.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Já Melhor Atriz Coadjuvante está completamente bagunçado. Tirando Zoe Saldaña e Ariana Grande, todas as demais estão com chances de aparecer e em risco de serem esnobadas.

Por “Piano de Família”, Danielle Deadwyler é quem mais parece próxima da vaga. Apareceu no Gotham, Spirit e SAG Awards, mostrando prestígio tanto entre os independentes quanto no mainstream. Está quase lá.

A força de Demi Moore e de “A Substância” podem puxar Margaret Qualley para a indicação, enquanto Isabella Rossellini joga não apenas com isso através de “Conclave”, mas, principalmente, pelo fato de nunca ter sido indicada. Talvez outra chance como essa não aconteça novamente.

Monica Barbaro e Elle Fanning dependem de quão “Um Completo Desconhecido” será abraçado pela Academia. Vejo mais chances da intérprete de Joan Baez. Se Felicity Jones se apoia no prestígio do elenco de “O Brutalista” para completar o trio de indicações ao lado de Adrien Brody e Guy Pearce, Jamie Lee Curtis chegou de última hora com “The Last Showgirl” e a alta de Pamela Anderson. Prestígio ela já mostrou que tem de sobra.

MELHOR DIREÇÃO

Em Melhor Direção, Sean Baker, Brady Corbet e Jacques Audiard dá para cravar tranquilamente que estarão no Oscar 2025. Responsável por “Conclave”, Edward Berger está muito próximo pelo estilo minucioso e extremamente técnico. Porém, não consigo ainda garantir o nome dele.

A presença de James Mangold na lista do DGA, o prêmio do Sindicato dos Diretores dos EUA, deixa claro como “Um Completo Desconhecido” tem bastante admiradores em Hollywood. Seria aquela indicação por um trabalho que nem chega a ser de esbanjar os olhos, mas competente o suficiente para agradar. Martin McDonagh, de “Os Banshees de Inisherin”, Kenneth Branagh, por “Belfast”, e Lee Isaac Chung, por “Minari”, chegaram assim ao Oscar.

A Academia, porém, pode olhar para a questão feminina e prestigiar a coragem de Coralie Fargeat no visceral “A Substância”, um gore que conseguiu quebrar barreiras quase intransponíveis para filmes de terror na temporada de premiações, e Payal Kapadia, uma presença de uma direção de longas não falados em inglês, algo que ocorreu duplamente no ano passado com Jonathan Glazer, de “Zona de Interesse”, e Justine Triet, por “Anatomia de uma Queda”.

MELHOR FILME

Indo para Melhor Filme, justamente a presença de Kapadia em Direção pode definir o rumo de uma das duas vagas em aberto na categoria.

A possível presença da cineasta indiana em Melhor Direção e uma indicação em Roteiro Original colocariam “Tudo o que Imaginamos como Luz” entre os finalistas da categoria máxima. Se isso acontecer, o duelo será entre “A Verdadeira Dor” e “Nickel Boys”, em que o drama de RaMell Ross me parece mais forte para ser nomeado.

MELHOR ATRIZ

E, para fechar, claro, Melhor Atriz: ali tem uma vaga em jogo. Karla Sofia Gascón, Demi Moore, Mikey Madison e Cynthia Erivo, na minha visão, estão garantidas.

A torcida toda está na Fernanda Torres: a vitória no Globo de Ouro colocou os devidos holofotes na brasileira e a Sony Pictures Classic ativou todos os recursos possíveis e inimagináveis para fazê-la finalista.

A lista do SAG, entretanto, colocou um alerta bem grande em relação à Pamela Anderson: a estrela de “The Last Showgirl” conseguiu ultrapassar nomes pesos-pesados como Nicole Kidman e Angelina Jolie para se colocar como uma candidata séria a Melhor Atriz. Se por um lado, ela pode aproveitar o embalo de Demi Moore e fazer a temporada ser do retorno das grandes estrelas subvalorizadas pela beleza, por outro, pode ocorrer com ela o mesmo que houve com Jennifer Lopez, por “As Golpistas”, em que os preconceitos falaram mais alto.

Por fim, jamais esquecer da Marianne Jean-Baptiste, a qual os ingleses farão de tudo para ser indicada por “Hard Truths”. A questão é saber se os britânicos sozinhos serão capazes disso.