Caio Pimenta faz as previsões para as indicações ao Oscar 2025 nas categorias de Melhor Filme, Direção, Roteiros e Atuações.
PRÊMIOS DE ROTEIRO
O Oscar de Melhor Roteiro Adaptado não parece ter muito espaço para surpresas.
“Conclave” chega como o grande favorito para levar o prêmio. Aliás, caso confirme a vitória, esta categoria pode ser decisiva para uma eventual consagração em Melhor Filme. “Emilia Pérez”, “Nickel Boys” e “Um Completo Desconhecido” também devem ser indicados. O mistério está na quinta vaga, em que acredito que “Sing Sing” deve prevalecer sobre “Wicked”.
Preciso admitir, entretanto, que minha aposta não tem tanta convicção assim: “Sing Sing” tem sido muito instável nesta temporada; quando você pensa que vai, o filme empaca. O drama prisional, pelo menos, foi indicado ao Bafta, superando “Wicked”. Vou dar esta aposta de confiança. Caso a Academia queira arriscar mais, pode surgir “Queer” e o nosso “Ainda Estou Aqui”, credenciado pela vitória no Festival de Veneza.
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
- Emilia Pérez
- Nickel Boys
- Conclave
- Um Completo Desconhecido
- Sing Sing
Possível surpresa: Wicked
Azarões: Queer e Ainda Estou Aqui
O cenário é bem parecido em Roteiro Original: “Anora“, “O Brutalista”, “A Verdadeira Dor” e “A Substância” estão garantidos entre os finalistas. Para a última vaga, acredito que a Academia vá se lembrar de “Tudo o que Imaginamos como Luz”, mantendo a tradição de sempre indicar um outsider nas categorias de roteiro.
“Hard Truths” sofreu um abalo significativo ao ser esnobado no Bafta; se não conseguiu fazer o dever de casa, imagina fora? Considero-o carta fora do baralho. As surpresas podem ser “Setembro 5”, um thriller jornalístico protocolar, mas que sempre tem uma base de apoiadores, e “Rivais”, um filme muito querido, mas que está com dificuldades de conseguir espaço nas principais categorias.
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
- Anora
- O Brutalista
- A Verdadeira Dor
- A Substância
- Tudo o que Imaginamos como Luz
Possível surpresa: Setembro 5
Azarões: Hard Truths e Rivais
MELHOR ATOR COADJUVANTE
Kieran Culkin aparece como favorito em Melhor Ator Coadjuvante e estará entre os finalistas, ao lado de Yura Borisov e Edward Norton. Se o SAG o esnobou, o Bafta já colocou Guy Pearce de volta ao jogo. Acredito que ele também aparecerá no Oscar, muito pela força de “O Brutalista”. Clarence Maclin e Jeremy Strong duelam pela última vaga.
Aqui, acho que o ator de “O Aprendiz” leva a melhor e ficará com a indicação. Muita gente se pergunta sobre Denzel Washington: por melhor que ele esteja, o astro está prejudicado pelo filme. “Gladiador 2” não empolgou Hollywood em uma temporada que estava aberta para ele se firmar entre os favoritos.
Quanto às possíveis surpresas, Jonathan Bailey apareceu de surpresa no SAG, mas acho improvável que a ala internacional o selecione. Quem é mais provável de fazer isso é Mark Eidelstein, o moleque sem um pingo de juízo de “Anora”. E, se todos os astros e a magia do universo estiverem a favor de “Ainda Estou Aqui”, Selton Mello será um dos finalistas.
MELHOR ATOR COADJUVANTE
- Kieran Culkin, por “A Verdadeira Dor”
- Yura Borisov, por “Anora”
- Guy Pearce, por “O Brutalista”
- Edward Norton, por “Um Completo Desconhecido”
- Jeremy Strong, por “O Aprendiz”
Possível surpresa: Clarence Maclin, por “Sing Sing”
Azarões: Jonathan Bailey, por “Wicked”, e Mark Eidelstein, por “Anora”
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Enquanto Zoe Saldaña já prepara seu discurso e tenta melhorar seu sotaque espanhol para buscar o primeiro Oscar da carreira, Ariana Grande e seus fãs irão comemorar a indicação inédita em Atriz Coadjuvante.
Apesar da esnobada do Bafta e de “Piano de Família” ter ficado para trás, ainda acredito em Danielle Deadwyler pela força dela junto aos votantes norte-americanos, como ficou provado no SAG, Spirit e Gotham Awards. Felicity Jones vai por osmose com Adrien Brody e Guy Pearce por “O Brutalista”. E, antes fora do radar, Jamie Lee Curtis deve arrancar a segunda indicação da carreira por “The Last Showgirl”.
Claro que Isabela Rossellini está de olho nesta última vaga e, se Deadwyler vacilar, ela fica com a indicação. É a vantagem de estar em um dos filmes queridinhos da temporada, contra aquele que está em declínio. As surpresas – nem tão surpreendentes assim – serão Monica Barbaro, de “Um Completo Desconhecido”, e Margaret Qualley, por “A Substância”.
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
- Zoe Saldaña, por “Emilia Pérez”
- Ariana Grande, por “Wicked”
- Danielle Deadwyler, por “Piano de Família”
- Felicity Jones, por “O Brutalista”
- Jamie Lee Curtis, por “The Last Showgirl”
Possível surpresa: Isabella Rossellini, por “Conclave”
Azarões:Monica Barbaro, de “Um Completo Desconhecido” e Margaret Qualley, por “A Substância”
MELHOR ATOR
Presentes em todas as premiações, Timothée Chalamet, Ralph Fiennes, Adrien Brody e Colman Domingo serão indicados a Melhor Ator.
A dúvida é sobre Sebastian Stan e Daniel Craig: o astro de “O Aprendiz” apareceu no Bafta, enquanto a estrela de “Queer” ficou de fora. O sinal, porém, foi trocado no SAG.
Neste duelo, jogo minhas fichas no ex-007 pela possibilidade de Stan dividir votos consigo mesmo, devido a muitos votantes preferirem sua atuação em “Um Homem Diferente”.
Hugh Grant, indicado ao Bafta, seria uma grande surpresa, mas, para uma temporada em que “A Substância” está superando tantos preconceitos em relação ao terror, por que não acreditar que a Academia possa apoiar o britânico?
MELHOR ATOR
- Timothée Chalamet, por “Um Completo Desconhecido”
- Ralph Fiennes, por “Conclave”
- Adrien Brody, por “O Brutalista”
- Colman Domingo, por “Sing Sing”
- Daniel Craig, por “Queer”
Possível surpresa: Sebastian Stan, por “O Aprendiz”
Azarões: Hugh Grant, por “Herege”
MELHOR DIREÇÃO
Sean Baker, Brady Corbet e Jacques Audiard são nomes mais do que certos. Estiveram no Globo de Ouro, Critics, Bafta e DGA.
Edward Berger também obteve os mesmos feitos, mas parece ainda estar em risco. Mesmo assim, considero que será indicado.
A última vaga está bastante equilibrada: Coralie Fargeat cresceu demais com o fortalecimento de “A Substância”, enquanto James Mangold apareceu no DGA e seria a opção mais convencional com “Um Completo Desconhecido”. Caso a Academia opte por prestigiar mais um candidato internacional, a saída seria Payal Kapadia, de “Tudo o que Imaginamos como Luz”. Correndo totalmente por fora, ainda há RaMell Ross, por “Nickel Boys”, e Denis Villeneuve, por “Duna 2”.
Destes todos, acredito mais nos três primeiros. Minha aposta para a quinta vaga será em Coralie Fargeat.
MELHOR DIREÇÃO
- Sean Baker, por “Anora”
- Edward Berger, por “Conclave”
- Brady Corbet, por “O Brutalista”
- Jacques Audiard, por “Emilia Pérez”
- Coralie Fargeat, por “A Substância”
Possível surpresa: James Mangold, por “Um Completo Desconhecido” e Payal Kapadia, por “Tudo o que Imaginamos como Luz”
Azarões: RaMell Ross, de “Nickel Boys” e Denis Villeneuve, por “Duna 2”
MELHOR FILME
Para fechar, temos Melhor Filme. A categoria traz oito produções com vagas consolidadas.
“Anora”, “O Brutalista”, “Emilia Pérez” e “Conclave” chegam para disputar o prêmio, enquanto “Duna 2” e “Wicked” representam os blockbusters. “A Substância” superou toda a desconfiança de que um gore não conseguiria ir tão longe. Chega tranquilo a Melhor Filme, graças à temática relevante e ao show de Demi Moore. “Um Completo Desconhecido” é a tradicional cinebiografia sobre uma figura importante da cultura, que nunca falta no Oscar.
“A Verdadeira Dor”, “Setembro 5”, “Tudo o que Imaginamos como Luz”, “Nickel Boys”, “Sing Sing”, “Rivais” e “Ainda Estou Aqui” disputam as duas últimas vagas. A dramédia de Jesse Eisenberg aparece em melhor situação por estar em categorias importantes do Oscar, como Roteiro Original, e ser favorita em Ator Coadjuvante, além da força da Searchlight Pictures para a campanha.
“Nickel Boys” é um queridinho do circuito independente norte-americano, muito bem recebido pela crítica e pela própria indústria após um circuito forte de festivais neste segundo semestre. Se não foi bem no SAG, a presença de RaMell Ross no DGA entre os diretores estreantes ajudou a equilibrar a balança.
O mesmo feito foi obtido por Payal Kapadia com o drama indiano. “Tudo o que Imaginamos como Luz” chega com a porta aberta no ano passado, em que duas produções não faladas em inglês foram indicadas a Melhor Filme. Presente no Globo de Ouro e no Bafta, a produção mostra que não caiu no esquecimento, mesmo não tendo sido a representante da Índia no prêmio da Academia.
Já falei que “Sing Sing” anda em baixa? Até tempos atrás, o drama da A24 era candidato certo, mas não conseguiu se firmar. Apesar de Colman Domingo e da grande chance de aparecer em Roteiro Adaptado, considero-o correndo por fora pelas duas vagas que restam.
A presença no PGA, prêmio do Sindicato dos Produtores, mostra que “Setembro 5” está vivo na temporada. O projeto da Paramount Pictures é aquele típico thriller político redondinho que a Academia costuma não esquecer. Já “Rivais” tem uma base de fãs sólida, mas sem votos suficientes para avançar.
E tem “Ainda Estou Aqui”: a Variety aponta o candidato brasileiro como o filme que fecha a lista de indicados. A campanha da Sony Pictures Classic realmente está forte, a presença de Fernanda Torres nos principais talk-shows ajuda demais, e o lançamento do longa no circuito americano, justo na reta final de votação, acabou sendo um acaso que deu certo. Chega como zebra, mas longe de ser algo impossível.
Pela lógica, minhas apostas para as duas últimas vagas são “Nickel Boys” e “A Verdadeira Dor”. Mas, com uma pontinha de esperança, torcida e análise, “Ainda Estou Aqui” pode, sim, fazer história e chegar no TOP 10.
MELHOR FILME
- “Anora”
- “Conclave”
- “O Brutalista”
- “Emilia Pérez”
- “A Substância”
- “Wicked”
- “Duna 2”
- “Um Completo Desconhecido”
- “A Verdadeira Dor”
- “Nickel Boys”
Possível surpresa: “Setembro 5”, “Tudo o que Imaginamos como Luz”
Azarões:“Sing Sing”, “Rivais” e “Ainda Estou Aqui”



















